Brasil, um caso especial

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De acordo com Manoel Teixeira Souza Júnior, chefe-geral da Embrapa Agroenergia, apesar de a realidade do Brasil ser muito diferente da dos Estados Unidos, o estudo desenvolvido pela Universidade de Michigan é importante em um contexto geral. “Precisamos pensar em um planeta como um todo, e a questão do alimento e da energia são fundamentais. Há uma crescente demanda por ambos, embora o mundo produza mais alimentos do que consome”, avalia. Segundo ele, o mundo se prepara para sair da dependência quase total de fontes de energia não renováveis e buscar alternativas. Nesse ponto, o Brasil encontra-se em uma posição privilegiada, pois possui boa tecnologia de produção do etanol e possibilidade de abastecer o mercado de biocombustíveis sem ampliar a área desmatada nem reduzir o espaço destinado à produção de alimentos.

Segundo Souza Júnior, uma tecnologia recente, que permite o aproveitamento do bagaço, da palha e das pontas da cana-de-açúcar, traz um aumento de 50% na produção de etanol, sem alterar a área plantada. “Se, hoje, são produzidos 85l de etanol a cada tonelada de cana, com o lignocelulósico é possível tirar 50% a mais, algo como 130l. Também existem culturas que podem ser produzidas especificamente para isso. A Embrapa lançou recentemente novas variedades de capim-elefante que podem produzir 200t por hectare”, explica.

Não existe um número preciso sobre o total de áreas degradadas no Brasil, mas estima-se que ocupem 140 milhões de hectares. Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), desse total, 30 milhões são de pastagens degradadas, parte da qual pode ser reaproveitada para plantações voltadas à produção de biocombustíveis. Atualmente, toda a produção de cana-de-açúcar no país utiliza 9 milhões de hectares, o que representa 1% de toda a terra brasileira, incluindo o Amazonas. Metade dessa área, entretanto, vai para o açúcar utilizado na alimentação, e a outra, para o etanol. “Nós identificamos mais 64 milhões de hectares para expansão da cana, e mesmo assim não existe nenhuma possibilidade de impactarmos a produção de alimentos”, defende Cid Caldas, coordenador do Departamento de Cana-de-Açúcar e Agroenergia do Mapa.

Isso porque, além de ocupar uma parte relativamente pequena do território, a cana no Brasil supre a produção de açúcar tanto para alimentação quanto para a produção de etanol. Caldas acrescenta que, ao realizar o zoneamento agroecológico da cana-de-açúcar, em 2009, o ministério visou à expansão para áreas que respeitassem os critérios ambientais, sociais e econômicos. Ao final, as terras indicadas para o aumento do cultivo da cana foram as de pastagem degradada e parte da área tomada na pecuária extensiva. (MU)

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