Brasil será o primeiro a produzir e exportar aguardente kasher

A tradicional cachaça brasileira está começando a ganhar o mundo com pompa e circunstância e não com o status de apenas mais uma commodity. O Brasil é hoje o primeiro país a fabricar a aguardente de cana-de-açúcar seguindo rituais judaicos de higiene, conhecidos como produtos “kasher”. Em Atibaia, a 65 quilômetros da capital paulista, a Clamore Indústria e Comércio Ltda está fabricando a Canna Schnaps, uma cachaça “kasher”, destilada duas vezes em alambique de cobre, envelhecida um ano em tonéis de carvalho cuja emenda não é feita com sebo de vaca, e envasada em garrafas virgens.

A bebida está sendo vendida nos aeroportos internacionais de São Paulo (Guarulhos), do Rio de Janeiro (Galeão) e Recife (Guararapes), além de redes de supermercados como Pão de Açúcar e lojas especializadas em bebidas sofisticadas. “Estamos negociando contratos de exportação direta para os Estados Unidos”, diz o diretor da empresa Samuel Lebensztajn.

Por incrível que pareça, ele conta que a cachaça kasher é consumida principalmente pelo público que não é judeu. “Pela tradição de higiene e pelo fato de não ter impurezas, o ritual kasher funciona, na prática, como um ISO 9000 (padrão de qualidade) para o produto”, compara o diretor. No rótulo, o consumidor encontra não apenas a assinatura do rabino atestando que o produto segue os preceitos judaicos, mas também uma receita de caipirinha, detalhando até como se deve cortar o limão para obter um drinque de melhor qualidade.

Hoje o alambique tem capacidade para fabricar 50 mil garrafas de cachaça por mês, mas está usando apenas 10% do potencial, empregando quatro funcionários. O preço do produto no varejo, segundo Lebensztajn, varia entre R$ 18 e R$ 20, bem superior a uma pinga comum, o que reflete o tratamento artesanal que o produto recebe.

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