Brasil expõe produção de etanol em evento internacional

Governo federal e especialistas do setor vão apresentar e debater a experiência brasileira de quase 35 anos no uso e na produção do etanol. Uma delegação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) participará da conferência, ao lado de representantes de quase 50 países.

A conferência, promovida pelo governo federal, contribuirá para a discussão internacional sobre os desafios e oportunidades apresentados pelos biocombustíveis. Temas relacionados, como segurança energética, produção e uso sustentáveis, agricultura, processamento industrial também serão debatidos, além de questões de especificações e padrões técnicos, comércio internacional, mudança do clima e o futuro dos biocombustíveis.

O evento terá dois segmentos: um conjunto de cinco sessões plenárias, abertas ao público nos dias 17, 18 e 19, e o segmento intergovernamental de alto nível, nos dias 20 e 21, com participação o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e do ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes.

A cana-de-açúcar responde por 16% da matriz energética brasileira, uma das mais limpas e renováveis do mundo, atrás apenas do petróleo e derivados (37%).

Da planta aproveita-se o caldo, o bagaço e a palha da cana para produção de açúcar, etanol, adubo e bioeletricidade, com vantagem de reduzir impactos ambientais e gerar créditos de carbono.

O território brasileiro, com 851 milhões de hectares, tem menos de 1% ocupado com o plantio da cana-de-açúcar, para produção de açúcar e álcool. Pouco mais da metade da cana-de-açúcar é empregada pelo setor sucroalcooleiro, 57%, para a produção de etanol; restante, para a produção de açúcar e, um pequeno percentual, destinado a outros produtos como aguardente, rapadura e forragem animal.

De acordo com a Secretaria de Produção e Agroenergia (SPAE) do Mapa, os investimentos externos no setor industrial do açúcar e do álcool brasileiro estão em torno de 15%. O consumo do etanol já é maior que o da gasolina e os veículos brasileiros flex fuel permitem a utilização de até 100% do etanol hidratado. O álcool anidro é misturado, atualmente, à gasolina na proporção de 25%. O Brasil tem frota estimada em mais de seis milhões de veículos flex fuel.

Há previsão de investimentos de R$ 30 bilhões na instalação de novas unidades produtoras até 2012. O País, desde 1925, faz testes utilizando etanol misturado à gasolina.

A intenção do governo é fortalecer a cooperação internacional, difundir a experiência nacional com os biocombustíveis, transmitir conhecimento e tecnologia para desta forma, criar condições para que outros países também produzam etanol de forma sustentável. Assim, o biocombustível se consolidará como uma commodity que gera investimentos não só no Brasil, mas também em países parceiros do Caribe, África e Ásia. As informações são do Mapa.

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