Brasil é referência mundial em energia renovável

Aprodução de biocombustíveis vem consolidando a liderança do Brasil no mercado mundial de energias renováveis. Este foi o ponto comum nos debates do Seminário Biocombustíveis – Energia do Século XXI, realizado pelo jornal O Globo, que reuniu no Rio de Janeiro representantes das principais entidades e empresas do setor agroenergético.

Durante o encontro, foram discutidas as tendências do mercado de biocombustíveis, os impactos causados pela crise econômica mundial e as questões sociais e ambientais ligadas ao setor.

Apesar do atual momento econômico, os expositores compartilharam um tom otimista em suas apresentações. Segundo o diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, as exportações brasileiras de biocombustíveis em 2008 cresceram mais de 400% em relação ao ano anterior. Por sua vez, o presidente da Petrobras Biocombustível, Alan Kardec Pinto, assegurou que a crise não reduziu o interesse dos investidores internacionais.

O Brasil passou a ser reconhecido como uma das principais referências mundiais no setor de energia “e não apenas em biocombustíveis”, afirmou o secretário de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia, José Lima. Já o secretário de Produção e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Manoel Vicente Bertone, avalia que o País é atualmente o único a apresentar clara viabilidade econômica na produção sustentável de biocombustíveis, sem afetar a oferta de alimentos ou ameaçar áreas de preservação. Esta posição é endossada pelo secretário do Grupo Intergovernamental sobre Grãos da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), Abdolreza Abbassian.

As vantagens sócio-econômicas relacionadas aos biocombustíveis também foram discutidas, principalmente o fortalecimento da agricultura familiar no cultivo de outras matérias-primas.

Isso se deve, em parte, à inclusão de exigências sócio-ambientais na agenda do desenvolvimento econômico brasileiro, conforme lembrou a secretária executiva do Ministério de Meio Ambiente, Izabella Teixeira. “A concessão de licenças estará condicionada à compensação ambiental pelos empreendimentos”, afirmou.

“Transformar o etanol numa commodity internacional é um desafio importantíssimo para o país”, disse o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços, Júlio Bueno, representando o governador Sérgio Cabral. Outro desafio é aumentar a participação do Rio de Janeiro no setor – o estado é líder na produção de petróleo mas responde por apenas 0,5% da produção nacional de etanol.

Na abertura do seminário, o diretor do Infoglobo, Agostinho Veira, afirmou que os investimentos em biocombustíveis levarão o Brasil a um outro patamar, depois que a crise financeira mundial passar. Também participaram das palestras e debates o diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Victor Martins; o diretor de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp, Roberto Giannetti da Fonseca; o diretor comercial da Cosan, Carlos Murillo Mello; a secretária estadual de Ambiente, Marilene Ramos; o chefe adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Agroenergia, Esdras Sundfeld; o diretor de Comunicação Corporativa da Unica, Adhemar Altieri; e o presidente da Tecnobio e inventor do processo de fabricação do biodiesel, Expedito Parente. Os debates foram mediados pelo jornalista George Vidor, do Globo.

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