Bolívia cria o Super Etanol 92, que revitaliza as usinas de cana

O governo da Bolívia investe no etanol para melhorar a qualidade da gasolina. A partir de meados de outubro, postos de serviços passarão a comercializar o combustível Super Etanol 92, com gasolina e etanol.

O novo combustível foi oficialmente criado em 15/09 com a assinatura da lei sobre Aditivos de Origem Vegetal, implantada com o objetivo de reduzir gradativamente a importação de gasolina e de diesel.

O 92 do Super Etanol indica que, com ele, a gasolina passa a ter 92 octanas, de melhor qualidade e maior rendimento. Com o novo produto, os motores tendem a se esforçar menos, a vida útil do veículo aumenta com uso de menos gasolina.

Atualmente, apenas a gasolina premium e Ron 91 excedem 90% de octanagem na Bolívia.

Para obter 92 octanas o novo combustível terá 12% de etanol.

A adoção do novo combustível gera também um mercado crescente de etanol na Bolívia.

Leia também: 

Usina Pitangueiras reduz as perdas industriais safra após safra. Conheça os motivos desse resultado

A Lei 303/2017-2018, assinada em 15/09 pelo presidente do Estado Plurinacional da Bolívia, Evo Morales, foca a redução gradativa de importação de combustíveis fósseis e objetiva usar o excesso de etanol na produção de açúcar e etanol para processá-lo e obter anidro, a ser empregado como um aditivo para a produção de gasolina de maior rendimento.

“A produção de etanol vai injetar a economia boliviana um investimento de 1.600 milhões de euros, dos quais cerca de 950 milhões serão destinados para melhorar as variedades de cana, preparo do solo, mecanização da agricultura e melhoria nos sistemas de colheita. Os outros 650 milhões de euros serão investidos nos sistemas de desidratação de etanol, na ampliação da capacidade de moagem e tratamento de resíduos “, explicou o ministro de Hidrocarbonetos, Luis Alberto Sánchez durante ato de assinatura da lei.

A introdução do Super Etanol 92 terá gestão direta da estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos(YPFB).

O presidente da empresa pública, Oscar Barriga, disse, no ato de assinatura da lei, que com a novidade “o Estado vai reduzir o subsídio às importações de combustível para mais de 20 milhões apenas no primeiro quantidade ano, atingindo uma poupança acumulada de mais de 500 milhões de dólares até o ano de 2025. ”

Revitalização

“Este projeto vai permitir a revitalização do setor e da economia em geral, por meio da geração de 15 mil empregos diretos pelo menos 12 mil indiretos, contribuindo, assim, com a redução do desemprego em 0,8 ponto percentual”, diz Luiz Fernando Barbery Paz, presidente da companhia sucroenergética Ingenio Agroindustrial de Cañeros S/A (Unagro), com unidade produtora em Santa Cruz.

No mesmo dia 15/09, quando o presidente Evo Morales assinou a lei, a Unagro anunciou a instalação de planta de desidratação e de subestação para eletricidade gerada pela biomassa da cana focada no mercado interno.

“Os investimentos superam US$ 24 milhões”, informa Luiz Barbery Paz, presidente da companhia.

Barbery destacou que as instalações possuem processos produtivos amigáveis ​​ao meio ambiente e à saúde humana.

Além disso, ele explica que a cogeração de energia envolve a instalação de dois turbogeradores nas áreas de vapor que flui a partir de cana de açúcar e gerar 40 megawatts por hora (MWh). O turbogerador tem uma capacidade de 17 MWh e o outro, o qual pode ser utilizado no momento da entressafra, tem a capacidade de produzir 29 MWh.

Em maio deste ano a YPFB divulgou o planto da gasolina-etanol com 92 octanas. Na oportunidade, a estatal divulgou que ainda neste ano seriam produzidos e comercializados 80 milhões de litros de etanol. Em 2025, a produção do biocombustível pelas unidades da Bolívia para o Super Etanol 92 deve alcançar 300 milhões de litros.

Em relato divulgado na imprensa da Bolívia, Susy Dorado, gerente da Associação Boliviana de Fornecedores (Asosur), informou que o novo combustível será comercializado a partir de 15 de outubro próximo.

A quantidade da mistura depende de norma do Governo que deve ser divulgada ainda nesta semana, embora a tendência é de adição de 12% de anidro à gasolina.

Leia também: 

Termelétrica da Cerradinho Bio exporta 70% da eletricidade produzida

“Todos ganhamos com o biocombustível”

“Todos nós ganhamos com o biocombustível”, afirma, em divulgação na imprensa da Bolívia, Gary Rodríguez, gerente do Instituto Boliviano de Comércio Exterior (IBCE).

Segundo ele, com o novo combustível o PIB crescerá mais 0,9% por causa desse investimento e do crescimento econômico que será gerado.

“O consumidor ganha porque terá uma gasolina de 92 octanos, de melhor qualidade; o governo vence, porque vai subsidiar menos, economizará moeda estrangeira para a importação de aditivos e gasolina, além de gerar impostos e maior capacidade de investimento em despesas”, relata.

O meio ambiente também ganha, conforme ele, porque o biocombustível contamina menos que um combustível fóssil. “A redução de gases de efeito estufa diminuirá em 6%.”

 

 

X