BioVerde busca aumentar margens após acordo com grupo espanhol

A BioVerde Indústria e Comércio de Biocombustíveis SA fechou acordo de cooperação com o grupo espanhol Integral Bioenergies Systems, S.L. para produzir biodiesel a partir de resíduo animal ou vegetal e aumentar suas margens com a menor dependência em commodities.

“Esse acordo abre um novo paradigma na indústria do biodiesel”, disse o diretor-presidente da BioVerde, Ailton Domingues, em entrevista no dia 18 de fevereiro em São Paulo. “Teremos margens que serão superiores às do mercado tradicional do biodiesel, especialmente quando o mercado de commodities estiver em alta”.

Com a cooperação entre as duas empresas, a BioVerde passará a usar tecnologia desenvolvida pelo grupo de Valência, que converte ácidos graxos em biodiesel, com uma taxa de aproveitamento que chega a até 98 por cento. Ele explicou que os resíduos tendem a não acompanhar a variação dos preços das commodities, ao contrário de outras matérias primas usadas na produção de biodiesel como, por exemplo, a soja, que subiu 34,1 por cento em 2010.

Sextuplicar

A BioVerde pretende mais que sextuplicar sua atual produção, de 181 milhões de litros, para 1,2 bilhão de litros quando suas duas usinas estiverem operando à plena capacidade em 2013. Até o fim deste ano, a produção já deve chegar a 400 milhões de litros e no ano que vem alcança 800 milhões de litros, disse o executivo.

Os investimentos previstos pela BioVerde para este ano atingem US$ 50 milhões, segundo Domingues. A produção da empresa é comercializada nos leilões da Petrobras.

Desde 1º de janeiro do ano passado, o óleo diesel comercializado no Brasil contém 5 por cento de biodiesel, de acordo com resolução do Conselho Nacional de Política Energética. Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, a ANP, o Brasil produziu 2,3 bilhões de litros de biodiesel no ano passado, 46,1 por cento mais que em 2009. A capacidade instalada do País já atinge 6 bilhões de litros.

IPO em 2013

A empresa planeja abrir capital em 2013, quando o faturamento do grupo vai chegar aos R$ 2 bilhões de reais. Metade da receita vai sair da produção de biocombustíveis para meios de transporte – ônibus, caminhões e trens. Os 50 por cento restantes virão pela venda de químicos fabricados a partir da gordura retirada de resíduos animais e vegetais que serão usados para fins como lubrificantes.

Em julho do ano passado, a Bioverde comprou os ativos da Companhia Petroquímica do Nordeste, a Copenor, por R$ 23,5 milhões. A BioVerde, com sede em Taubaté, interior de São Paulo, já investiu US$ 150 milhões em duas usinas de biodiesel: uma em Sorocaba e outra em Taubaté, ambas no interior de São Paulo.

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