Biosev ‘perde’ R$ 1 bi em emissão privada de ações

Na emissão privada de ações que fará até o fim de fevereiro para elevar em R$ 600 milhões seu capital, a Biosev, braço sucroalcooleiro da multinacional francesa Louis Dreyfus Commodities, reduziu em pelo menos R$ 1 bilhão o valor da companhia atribuído pelos acionistas, se comparado ao valor atribuído na época da tentativa de abrir capital na BM&FBovespa, há sete meses.

Quando tentou vender a empresa ao mercado de capitais por meio de uma Oferta Pública Inicial de Ações (IPO, na sigla em inglês) em julho de 2012, a Biosev foi avaliada por seus acionistas em R$ 2,8 bilhões. O cálculo, feito com base no prospecto entregue pela empresa à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em julho passado, considera o volume de ações nas mãos dos sócios (175,9 milhões) e a faixa mínima de preço por ação que seria ofertada no IPO (R$ 16,50).

Se for considerado o ponto médio da faixa de preço da ação que seria oferecida aos investidores na bolsa, de R$ 18,50 por papel, o valor atribuído à empresa antes do IPO alcançaria R$ 3,2 bilhões.

Na última semana, no entanto, a empresa anunciou as condições de seu aumento de capital com oferta privada de ações (restrita aos atuais sócios) em que mostra que seus acionistas atribuíram à companhia um valor bem menor, de R$ 1,8 bilhão (também antes do aumento de capital). O cálculo leva em conta que as 4,017 bilhões de ações que serão emitidas ao preço unitário de R$ 0,1493 vão equivaler a 25% do capital social da empresa (a captação totalizará R$ 600 milhões).

Para especialistas ouvidos pela reportagem, a nova avaliação feita pelos acionistas para a atual emissão privada apenas explica o motivo pelo qual a empresa teve baixa demanda por parte de investidores quando anunciou que faria a abertura de capital na BM&FBovespa, no ano passado: “a companhia estava superavaliada. E o mercado já enxergava isso”, disse um analista.

Não há muitos elementos que justifiquem essa queda do valor atribuído à empresa pelos próprios acionistas. Houve, de fato, um recuo nos preços do açúcar do ano passado para esse – no entanto também ocorreu um aumento no volume de cana processado pela companhia.

Na safra 2011/12, a Biosev processou 28 milhões de toneladas de cana, bem abaixo de sua capacidade, de 40 milhões de toneladas. Em 2012/13, cuja moagem já foi finalizada, a empresa deve informar, segundo apurou o Valor, um processamento 15% maior, na casa das 32 milhões de toneladas de cana. Procurada, a Biosev não retornou o contato da reportagem.

De forma geral, o desempenho do setor sucroalcooleiro nesta safra 2012/13, em termos de resultado, deve empatar com o realizado no ciclo anterior. Ainda, há o fato de que o mercado de capitais parece estar olhando algumas empresas deste setor com viés de alta. O grupo São Martinho, por exemplo, o único exclusivamente sucroalcooleiro com capital aberto na bolsa, teve seu valor de mercado elevado desde julho do ano passado de R$ 2,2 bilhões para R$ 3,2 bilhões.

Os acionistas da Biosev têm até 28 de fevereiro para subscrever e integralizar as ações ofertadas na emissão privada. Os sócios que não exercerem seu direito de preferência terão sua participação potencialmente diluída em 25,09%, segundo informações da empresa.

As famílias Biagi e Junqueira Franco – antigos controladores da Santelisa Vale que foi comprada em 2009 pela Dreyfus, dando origem à Biosev – por exemplo, têm 14,55% da companhia. Se não subscrevem, terão a participação reduzida a 10,89%.

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