Biomassa terá participação crescente na matriz energética brasileira

Pesquisa realizada pelo Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sinaliza que a geração de energia elétrica através da queima do bagaço da cana, a biomassa, poderá alcançar 10 mil megawatts (MW), o equivalente a uma usina de Itaipu.

Numa estimativa mais otimista, a geração poderá ser de 15 mil MW. “É muita energia”, afirmou dia (18) à Agência Brasil o coordenador do Gesel, Nivalde de Castro.

Com base na mudança da política energética, focada na biomassa, e na possibilidade da indústria de açúcar e álcool produzir energia elétrica através da biomassa, os economistas do Gesel traçaram um panorama da bioeletricidade sucroalcooleira.

Os resultados dos estudos estão no A Indústria do Álcool e Açúcar e a Bioeletricidade no Brasil – Possibilidades e Limites, que será lançado amanhã (19), no encerramento do 3º Seminário Internacional do Setor Elétrico.

A biomassa passou a fazer parte oficialmente da matriz de energia elétrica brasileira, com a realização do leilão de energia de reserva, em agosto. Na ocasião, foram negociados 2,3 mil MW de potência instalada para 2009 e 2010.

Segundo Castro, havia, antes a falta de estímulo para que o usineiro produzisse energia elétrica a partir da biomassa, sendo a principal dificuldade o elevado custo de conexão.

Antes, cabia ao usineiro a construção de linhas de transmissão até a rede básica, onde a energia seria vendida, conforme explicou o economista. “Isso assustava muito o usineiro, porque era um investimento numa área que ele não conhecia. E com uma rentabilidade mais baixa. Mas, o leilão de energia de reserva conseguiu resolver esse problema estrutural. O livro aponta que, agora, a biomassa vai entrar na matriz de energia elétrica numa velocidade muito maior”, previu.

Agora, a questão do custo de conexão foi contornada com a criação de subestações coletoras mais próximas dos usineiros. “Isso ajudou, de certa maneira, a ganhar a confiança do usineiro”.

O economista prevê que uma participação da biomassa crescente a partir de agora. O potencial da biomassa é calculado através da quantidade de cana que é moída por ano. “E como o Brasil tem uma perspectiva de aumentar muito a produção e a moagem de cana, por conta do etanol, nas estimativas mais conservadoras se chega a 10 mil MW”, reiterou.

Atualmente, a participação da biomassa na matriz de energia elétrica é muito reduzida. Castro lembrou que, se a usina de Itaipu representa hoje 10% da capacidade instalada nacional, “eu poderia aumentar num período rápido 10% a mais de energia advinda da biomassa”.

Castro afirmou que o Brasil quer colocar o etanol como um bem substituto do petróleo, porque é um combustível que emite menos gases que intensificam o efeito estufa.

Com isso, ele acredita que a produção de cana-de-açúcar deva aumentar, bem como a bagaço de cana. “Haverá, assim, um subproduto da produção de etanol que vai gerar energia elétrica. Isso é uma eficiência energética muito positiva para o Brasil. É mais um fator de diferenciação do Brasil no cenário energético mundial”.

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