BB e Nossa Caixa elevam em 35% crédito a produtor paulista

O Banco do Brasil (BB) e a Nossa Caixa elevarão em 35% os recursos na safra 2009/2010 destinados aos produtores do Estado de São Paulo. A medida se deve às perspectivas positivas para a atividade agrícola nos próximos meses e a readequação do nível de risco dos agricultores, aprovada no último dia 30 de junho pelo Banco Central, que reduziu a provisão ligada ao crédito rural.

As duas instituições irão desembolsar, juntas, R$ 5,8 bilhões, ante R$ 4,3 bilhões aplicados na temporada anterior. Com isso, o Banco do Brasil elevou sua participação em 29,7%, de R$ 3,7 bilhões para R$ 4,8 bilhões. São Paulo representa 12,1% do total de recursos do BB. Já a Nossa Caixa intensificou sua atuação no agronegócio e, para isso, ampliou o montante destinado aos financiamentos rurais de R$ 594,5 milhões para R$ 1 bilhão.

Segundo Demian Fiocca, presidente da Nossa Caixa, o processo de integração com o BB, que opera 60! % dos recursos destinados aos agricultores do País, irá facilitar a expansão do crédito aos produtores, possibilitando ao banco, inclusive, operar em novas linhas de financiamento. Entre elas a Linha Especial de Crédito (LEC), utilizada para financiar a comercialização da safra. “A Nossa Caixa tinha pouca tradição na área de comercialização e agora vamos dar mais ênfase para esse segmento. Nosso objetivo é emprestar o maior volume de recursos possíveis dentro dos limites individuais de cada produtor”, disse Fiocca.

A Nossa Caixa também elevou o limite de crédito para algumas operações. No caso do financiamento para investimento, o valor foi ampliado de R$ 130 mil para R$ 200 mil e para custeio, de R$ 400 mil para R$ 600 mil. O BB e a Nossa Caixa irão reforçar sua atuação junto às cooperativas e agroindústrias. O limite de crédito foi ampliado de R$ 3 milhões para R$ 10 milhões no caso das primeiras e, de R$ 3 milhões para R$ 20 milhões, para as indústrias.

O incremen! to no crédito direcionado aos agricultores também está ligado a uma menor exposição ao risco. Segundo Luís Carlos Guedes Pinto, vice-presidente de Agronegócios do BB, a autorização do Banco Central para reclassificar o risco dos produtores permitirá que 94 mil agricultores voltem a ter acesso ao crédito ou obtenham um aumento no volume de financiamento. “É um número bastante significativo. De um universo de 300 mil produtores que não tinham crédito na última safra, 94 mil tiveram a readequação no nível de risco”, avaliou o ex-ministro da Agricultura. Segundo Guedes, a medida favoreceu os produtores do Centro-Oeste. “Essa é a terceira safra que os produtores estão pagando o custeio, as parcelas da dívida que foram prorrogadas. É uma safra com perspectiva de renda para o produtor. Vamos aumentar o crédito para aqueles que não prorrogaram a dívida e para aqueles que vem prorrogando, mas que estão pagando”, disse José Carlos Vaz, diretor de Agronegócios do BB.

Os produtores de ! São Paulo, principal Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio no País, também estão sendo beneficiados com a reclassificação, no entanto, a consolidação do setor na região diminui o risco dos investimentos locais. “Cerca de 92,3% da carteira de crédito rural da Nossa Caixa está classificada entre AA e C – faixas consideradas de baixo risco”, afirmou Fiocca.

A integração com o BB, que ocorre desde o último mês de março, também permitirá às agências da Nossa Caixa ofertarem o contrato de opção de venda que poderá ser financiado dentro do próprio custeio. Em São Paulo, o governo do Estado já oferece um subsídio ao prêmio dos contratos de opção. “Estamos preparados para atender um volume de R$ 1,5 bilhão a R$ 2 bilhões”, informou Vaz, ressaltando que a opção se trata de uma novidade que ainda não faz parte da cultura do produtor. A expectativa é a de que os primeiros contratos sejam direcionados a cultura do milho, que segundo o executivo do BB, seria atualmente a que impri! me a maior necessidade para o agricultor travar preços.

Agronegócio paulista

O saldo comercial do agronegócio paulista aumentou 2,8%, para US$ 4,3 bilhões, no primeiro semestre, em relação ao mesmo período de 2008, segundo o estudo do Instituto de Economia Agrícola da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (IEA). As exportações do setor recuaram 8,6%, para US$ 7,03 bilhões. No caso das importações a queda foi de 22,5%, para US$ 2,6 bilhões.

O principal agregado nas exportações do agronegócio paulista foi o setor sucroalcooleiro, com uma participação da ordem de US$ 2,4 bilhões. As exportações de cana e sacarídeas cresceram 39,7%, comparadas às do primeiro semestre do ano passado.

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