Banco Central reduz juros, mas não agrada

O que já era esperado aconteceu. Pela primeira vez no governo Lula, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) finalmente baixou a taxa básica de juros (Selic) em 0,5 ponto percentual, para 26% ao ano, sem viés. A decisão já era esperada e foi unânime. No entanto, redução foi considerada tímida e desapontou alguns setores da sociedade.

O mercado, que operou em alta na maior parte do dia à espera do rumo dos juros, reagiu negativamente minutos depois de dada a notícia. A Bovespa começou a cair e fechou em queda de 1,94% e o dólar disparou. A moeda norte-americana encerrou os negócios cotada a R$ 2,89 para venda, uma alta de 0,89% em relação ao fechamento de terça-feira .

Enquanto o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, comemorou a decisão dizendo que o governo está vencendo a guerra contra os preços, economistas, políticos, comerciantes e industriais voltaram a criticar a política monetária do país.

Conservadorismo do BC é criticado

A pequena redução da taxa de juros decepcionou alguns ramos da sociedade. Os economistas comentaram que a decisão mostrou conservadorismo do Banco Central, que tinha mais espaço para baixar a Selic. “Havia espaço para dois pontos percentuais de queda. Para eles, a inflação deu uma caída, mas não há 100% de certeza quanto a esta tendência”, disse o economista-chefe do Global Invest Marcelo Ávila.

Na ala dos parlamentares, as críticas foram mais sérias. “Foi decepcionante. O governo não teve maioridade para reduzir mais. Esperava 2%”, disse o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio.

Associações comerciais se dividem

O setor comercial ficou dividido após a decisão do Copom. A Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ) ficou desapontada com o corte de apenas 0,5 ponto percentual da Selic. “Apesar de a redução ser uma clara indicação de que se iniciou uma trajetória de redução dos juros, a Fecomércio-RJ não pode deixar de expressar o seu desapontamento com relação à intensidade da queda”, afirmou o presidente da instituição, Orlando Diniz.

Já a Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP) considerou que a decisão foi um bom sinal de que a trajetória de queda dos juros está, de fato, começando. A sociedade e o setor produtivo têm necessidade urgente de receber um impulso para a tão esperada retomada do crescimento econômico”, disse o presidente da Federação, Abram Szajman.

Na avaliação do presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Guilherme Afif Domingos, o corte, mesmo sem viés, sinaliza uma perspectiva de recuperação até o final do ano. “Em princípio o quadro permanecerá o mesmo, mas já sinaliza uma recuperação, pelo menos para o Natal”, disse.

Para indústria, decisão é correta, mas insuficiente

Apesar de estar na direção correta, a redução de 0,5 ponto percentual da taxa básica de juros (Selic) é pequena e, no horizonte dos próximos meses, é “absolutamente insuficiente”, segundo o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Horacio Lafer Piva.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também foi dura ao avaliar a decisão do Copom. Segundo o deputado Armando Monteiro Neto (PTB-PE), a medida “frustra a expectativa do setor produtivo, impondo sacrifícios adicionais absolutamente desnecessários”.

Sindicalistas dizem que redução foi insignificante

O diretor nacional da Força Sindical e o presidente do Sindicato dos Plásticos de Jundiaí e Região, João Henrique dos Santos, também criticaram a decisão do Copom. “Esta redução é insignificante diante do atual quadro econômico brasileiro”, disse ele. “A queda não reflete a posição política do atual governo federal, defendida durante a campanha presidencial do ano passado”.

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