Bagaço de cana é fonte de energia

Quatro usinas que entram em operação este ano planejam gerar bioenergia

O que era considerado lixo passou a fazer parte do negócio do setor sucroalcooleiro. As usinas de álcool e açúcar de Minas Gerais investem cada vez mais na geração de energia elétrica a partir do bagaço da cana. Além de se tornarem autossuficientes para atender a produção, muitas usinas incrementam o faturamento com a venda de energia excedente no mercado.

Segundo o coordenador da área de bioeletricidade do Sindicato da Indústria do Álcool e Açúcar de Minas Gerais (Siamig), Luciano Rogério de Castro, a participação do comércio da bioenergia na receita das empresas pode variar de 10% a 15%. Das 40 usinas instaladas no Estado, 12 já vendem a energia excedente.

O potencial de geração da bioenergia na safra 2009/2010 é da ordem de 750 MW/h, segundo o sindicato. Desse total, 300 MW/h serão utilizados pelas próprias usinas, 300 MW/h já têm contrato firmado para a venda e o restante, 150 MW/h, ainda não foi negociado no mercado. “Há usinas que preferem esperar o projeto se consolidar para depois fazer a venda, porque, caso não cumpra o contrato de fornecimento, a multa é pesada”, explicou Castro. Apesar de variar muito, em função do clima, hora e dia, em média, o MW/h é vendido a R$ 130, embora haja contratos em que o preço pode chegar a R$ 150 MW/h.

Exemplo. Das cinco usinas previstas para entrar em operação este ano, quatro são associadas ao sindicato e já informaram seus respectivos projetos para a geração de bioeletricidade. Ao todo, vão produzir 177 MW/h. Um exemplo é a Destilaria Vale do Paracatu Ltda, localizada em Paracatu, que deve produzir cerca de 30MW/h, metade para o consumo próprio. O excedente, 15 MW/h, será destinado ao mercado externo – uma energia suficiente para abastecer cerca de 115 mil residências. Segundo o sindicato, a projeção é que 34 usinas produzirão 2.416 MW/h em 2014. Estima-se que desse montante 1.631 serão colocadas à venda.

As novas usinas já incluem a geração de bioenergia em seu negócio, com a compra de equipamentos capazes de processar o bagaço da cana com mais eficiência. As plantas antigas têm que se adaptar, com a troca de caldeiras de maior potência. É o caso da Usina Monte Alegre, localizada em Monte Belo, no Sul de Minas, que acaba de inaugurar uma Pequena Central Termelétrica (PCT).

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