Bagaço de cana ajuda a iluminar interior do Estado

O interior do Estado de São Paulo recebeu uma ajuda indireta das usinas de açúcar e álcool que fornecem energia a partir do bagaço de cana para as distribuidoras. O Estado conta com 54 usinas interligadas à rede.

“Parte dessas usinas sucroalcooleiras ajudou a mitigar o efeito do apagão no interior do Estado”, afirmou Zilmar José de Souza, assessor em bioeletricidade da União da Indústria da Cana-de-açúcar (Unica) e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV). As usinas paulistas têm, sobretudo, contratos de fornecimento com a CPFL Paulista e a Elektro.

Segundo Souza, essas 54 usinas colocam na rede energia suficiente para iluminar uma cidade de 1,4 milhão de habitantes – o equivalente a duas cidades como Ribeirão Preto, o maior polo produtor de cana no país. Boa parte destas unidades está instalada na região! de Ribeirão Preto e no Oeste e Noroeste paulista.

A energia a partir da biomassa virou importante alternativa de fonte para a matriz energética do país. Mas sua representatividade ainda é pequena. “O setor sucroalcooleiro ajuda a tornar o sistema menos vulnerável”, afirmou Souza.

O potencial de fornecimento de energia a partir do bagaço das usinas de açúcar e álcool do Brasil equivale a um complexo do Madeira (um total de 6.000 MW). Mas o que é comercializado efetivamente por cerca de 88 usinas do país, de um total de 400, representa cerca de 25% desse potencial.

As usinas brasileiras chegaram a anunciar investimentos em cogeração de energia de cerca de R$ 4 bilhões nos próximos anos. No entanto, o apetite foi contido pela crise financeira pela qual essas empresas passam desde o ano passado.

Muitos grupos sucroalcooleiros firmaram contratos de lo! ngo prazo com as distribuidoras de energia. E muitas distribuidoras fecharam parcerias com usinas sucroalcooleiras para bancar os projetos de cogeração de energia no país. No leilão de reserva realizado pelo governo no ano passado, 31 usinas venderam 548 MW médios de energia a partir do bagaço (o que equivale a 1.096 MW de potência instalada, considerando que a usina produz energia somente no período de seis meses de safra).

O grupo Cosan, a maior companhia sucroalcooleira do mundo, foi um dos que mais investiu em cogeração de energia nestes três últimos anos.

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