Autodisciplina

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Temos feito uma reflexão indireta dentro dos temas por mim escritos sobre alguns aspectos de mudança de postura e atitudes, no sentido das pessoas e profissionais fazerem a diferença por onde passar. Em contrapartida a este discurso, existe um cenário em que as pessoas têm a impressão de estar vivendo mais coisas negativas do que positivas e, por isto mesmo, não acreditam que a busca por algo especial, por serem pessoas especiais num contexto de posturas e competências padronizadas, não fará a diferença e com isto não colocam energia de mudança. Aí temos um quadro claro de um ciclo vicioso, infelizmente.

Via de regra, damos (e isso faz parte do “ser humano”) mais atenção aos pontos negativos do que aos positivos, e ainda fomentamos e temos prazer até em dizer que a “Lei de Murphy” é mais forte do que tudo. Este sentido pessimista impera e atrapalha muito, posso dizer. Se as pessoas mudassem esse mantra, como eu sempre falo, tenho a certeza de que as relações, as oportunidades, as realizações e a evolução, em todos os sentidos, seriam diferentes. Até o criador dessa famosa lei, Emmett C. Murphy Sr, chamada hoje por ele de “a velha lei”, já mudou sua visão e afirma nas suas obras recentes: “se alguma coisa pode dar certo, eu posso fazê-la dar certo. Eu escolho a esperança e não o pessimismo para guiar a minha vida”.

E essa tendência do olhar pessimista e desencantado invade nossa vida profissional e pessoal: os projetos não realizados, as promoções não conquistadas, as mudanças não concretizadas, as lições não aprendidas, as “rasteiras” tomadas, etc; e na vida pessoal : o tempo mal aproveitado ou gerenciado, as férias não tiradas da forma que gostaríamos, os quilos não perdidos, o curso adiado e a pouca dedicação aos filhos. Não nos faltam cobranças e atestados de fracasso ou dificuldades colocadas pela dureza do mundo. Somos bons nisto. E os aspectos positivos, embora comemorados, não têm a mesma importância quando colocados numa balança, pois esperamos sempre por algo sobrenatural, ou algo que virá deforma contundente para mudar a nossa vida, ou aquilo que não queremos mais. E aqui que entro no tema propriamente dito: o sentido, ou a virtude da autodisciplina.

O tratamento que darei a esse assunto aqui no nosso espaço não traz o sentido da disciplina como mais um peso dentro do fardo da cobrança que acabei de citar acima, mas sim no foco de como podemos incorporá-la na nossa vida, na busca de realizar os almejados planos e sonhos. No sentido da busca e aprimoramento, e não do rigor em si.

Quando falamos em disciplina lembramo-nos de exército, escola rígida, professora antiga, ou mesmo um pai bravo. A disciplina pode ser algo que nos incomoda ou nos remete a lembranças ruins, mas é considerada uma ferramenta importante no nosso crescimento, na nossa busca de evolução, em todos os níveis.

Existem algumas frases que trazem uma versão do entendimento da chamada sorte, ficando claro que por trás de um bom resultado há sempre muito empenho e disciplina e de que nada vem fácil. Winston Churchill, por exemplo, disse: “A sorte não existe. Aquilo a que chamas sorte é o cuidado com os pormenores”.

A autodisciplina é tratada como uma virtude, na linguagem mais filosófica, e como uma competência que integra a atitude, que é onde a autodisciplina se encaixa, na linguagem profissional atual. Hoje se fala muito que um profissional é avaliado mais pelas suas atitudes do que pelo seu conhecimento puramente. Portanto, ter a atitude (ou a virtude) de ser autodisciplinado na vida, nos permite fazer uso de qualquer poder e capacidades que nos foi dado, para ser tudo o que pudermos a serviço de nossos sonhos.

Autodisciplina pode significar o alinhamento da nossa energia com os nossos valores e prioridades que estabelecemos para nós, o que nos provê de força para suportar as provações, frustrações e outros limitantes em prol de um objetivo maior. Significa estar dispostos a empurrar-nos para os limites de nossa vontade e perseverança, se isso for o tom necessário para o nosso sucesso. Essa ação não precisa ser dura, podendo assumir a forma de uma resolução tranquila ou determinação que direciona nossas escolhas. É exigente, pois tudo na vida requer um esforço para a conquista, mão não é cruel.

Disciplina é a aliada da motivação e quem tem a automotivação dentro de si, também tem a autodisciplina como um complemento natural. A força de vontade de que tanto falamos também está ligada a este sentido de se responsabilizar pela sua busca, pelo seu sonho.

Parece simples que uma vez entendendo o recado, possamos passar a ser assim de uma hora para outra. Autodisciplina é uma prática que requer passar pelo despertar e conscientização, o entendimento de para que e onde se quer chegar, o planejamento, o colocar na prática propriamente dito, o controle, a reavaliação constante, a mudança de rumo quando necessário, a conquista do resultado. Como as fases de projeto: um projeto de vida, de realização, de felicidade!

Portanto nada melhor para potencializar nossa energia e renová-la do que buscar mudar algo dentro de nós. Pratique esse sentido da autodisciplina dentro de si e planeje como usar essa virtude ou competência a seu favor. Porque, dentro do foco dos assuntos que hoje lidamos, ouvimos e compartilhamos existe um ponto validado: o de que tudo está dentro de nós e somos os únicos responsáveis por nós mesmos, por aquilo que queremos e buscamos, pelas mudanças que sonhamos realizar e por aquelas que queremos ver em nós e nas pessoas ao nosso redor, por um mundo melhor. O que vem de fora é a oportunidade, a possibilidade, a chance, a ocasião, o espaço, a abertura. Mas nós que os procuramos e conquistamos, sempre, com nossa disposição, disponibilidade, iniciativa, dedicação, empenho, comprometimento e atenção constante. Tudo isto requer autodisciplina.

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