Asplan: Cooperativismo pode ser a saída para a crise no setor

“Cooperativismo” foi a palavra de ordem do último dia de palestras do “2º Seminário de Políticas Públicas para o Setor Canavieiro do Nordeste e Agroenergia”, que foi realizado pela Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba (Asplan), com apoio do Banco do Nordeste, Ministério da Agricultura e Sebrae-PB. A abordagem de boa parte dos palestrantes foi centrada na necessidade de união para superação da crise. O evento que reuniu produtores, estudiosos, representantes de associações de vários estados da federação, e autoridades políticas, foi encerrado no início da noite de anteontem (21), com a inauguração da galeria de ex-dirigentes da entidade que completou 50 anos de atuação.

A primeira palestra do dia, que tratou da “Viabilização dos Produtores Independentes no Contexto Atual Mediante o Sistema de Cooperativas”, o presidente da Cooperativa de Colonização Agropecuária e Industrial Ltda, Klécio José dos Santos, falou sobre a importância da união de classe em busca de seus objetivos e na superação de crises. “Fundada há 52 anos pelo francês René Bertholet, e localizada no sul de Alagoas, a Cooperativa de Pindorama comporta 30 mil hectares, divididos em 1.400 lotes, com uma população de cerca de 30 mil pessoas, sendo 1.100 delas associados, onde produzem diversas culturas (cana, frutas, piscicultura, etc.), com base em dois compromissos, assistência ao associado e geração de trabalho e renda para todos eles, além de tudo ser passado pelo controle de qualidade”, contou Klécio. Ele destacou também que esse apesar da crise do setor, a cooperativa de Pindorama está entre as 100 maiores contribuintes de Alagoas e deverá chegar esse ano a um faturamento anual de R$ 100 milhões.

Em seguida o secretário-executivo estadual da Agricultura, José Inácio de Morais, comentou os avanços do modelo cooperativado de Pindorama. “Tudo que aqui foi exposto é um estímulo para buscarmos medidas para adequar e superar nossas necessidades. E o que é bom deve ser copiado”, argumentou o ex-dirigente da Asplan.

O tema “A Embrapa e suas diretrizes para a pesquisa canavieira no contexto da agroenergia” foi apresentado pelo técnico da entidade, Antônio Santiago. Ele falou da criação da Embrapa e do acompanhamento que o órgão faz do setor sucroalcooleiro, seguido das diretrizes a serem implementadas, atais como planejamento estratégico, plano diretor, etc. “Estamos intensificando a pesquisa, ampliando os esforços de zoneamento e estendendo os postos para o desenvolvimento do setor, através de assistência de produção de energia e do programa de exportação de produtos”, disse Antônio. Ele lembrou também que o Governo Federal, também vem gerindo, através da Ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, o Plano Nacional de Pesquisa de Desenvolvimento e Inovação do Etanol.

O bloco de palestras da manhã foi encerrado como o tema “o Brasil como oportunidade para investimento Externo no Contexto da Produção de Bioenergia”, pelo consultor jurídico, Manoel Gregório Maranhão, e debatido pelo professor da UFRPE, Francisco Dutra de Melo. “O Brasil é o projeto mundial concreto, pois somos fonte de produção de uma energia totalmente renovável, produzido a partir da cana-de-açúcar. Portanto, o produtor canavieiro deve se unir, para através do ambiente de cooperativas poder melhor vender sua produção, e ainda ter um poder de barganha para negociar seus insumos e defensivos agrícolas”, alertou Gregório.

As palestras da tarde foram ministradas por representantes da Confederação Nacional de Agricultura (CNA). Primeiramente, o Assessor Técnico, José Ricardo Severo enfocou os “Impactos da Produção dos Biocombustíveis na Produção de Alimentos”. “Hoje temos 0,1% da área total do país plantada de cana-de-açúcar e mesmo se dobrarmos a nossa produção de etanol chegaríamos a apenas 1,2% de área cultivada. Com isso, fica claro que os biocombustíveis não são os vilões desse falta de alimentos”, garantiu Ricardo, lembrando que a falta de alimentos deve-se a demanda de consumo por parte dos brasileiros e a solução é aumentar a produção para suprir essa carência.

O encerramento dos trabalhos foi realizado pela economista e técnica da CNA, Rosemeire Cristina dos Santos, que tratou do tema “Perspectivas do Mercado de Insumos e seu Impacto na Produção Agrícola”. “O preço tanto dos fertilizantes, quanto dos defensivos agrícolas tem aumentando no mundo inteiro, e isso se deu em virtude da própria expectativa de mercado das empresas que os produzem, que atuam num espaço bastante concentradas, ou seja, quase não possuem concorrentes, pois são apenas oito”, contou Rosemeire. Ela lamentou pelo fato de que essa realidade não tem previsão de ser revertida muito breve. “Também não temos como comprovar que exista um cartel de preços para se combater na Justiça. A única medida paliativa a ser tomada a médio e longo prazo é lutarmos junto aos Ministérios para que seja desburocratizada a instalação de empresas que produzam produtos genéricos para competirem com os que ai estão”, disse ela, justificando que as previsões mais otimistas apontam o ano de 2011 como o início da retomada do poder de compra dos produtores.

Para o presidente da Asplan, Raimundo Nonato Siqueira, o seminário superou as expectativas e, apesar da necessidade de ter que substituir dois palestrantes de última hora, o nível das explanações e dos debates e a importância dos temas deram contribuições importantes para o produtor. “Saímos daqui municiados de informações novas e que com certeza nos ajudarão a tomar decisões mais acertadas para enfrentarmos os desafios que virão”, concluiu ele.

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