Arbusto como biocombustível e a renda do carbono

Em outro campo da luta pela sobrevivência, um teste feito em janeiro, mas cujos resultados foram divulgados agora, repercutiu bastante entre os participantes da conferência em Cannes. A Continental Airlines usou biocombustível em uma das turbinas de um Boeing 737-800 num voo de 90 minutos em Houston, Texas. Na ocasião, a aeronave passou por vários procedimentos, que incluíram aceleração, desaceleração e religamento, bem sucedidos. O propulsor foi alimentado por uma mistura com jatropa – um tipo de arbusto – e algas. O resultado, embora tenha significado um ganho de eficiência de 1,1%, deixou saldo animador no ganho na redução da emissão de gases – 60% a 80% a menos que o querosene de aviação utilizado na outra turbina.

– Só com esse 1,1% de ganho em eficiência poderíamos economizar US$ 30 milhões por ano, mesmo com mistura pequena – explica ao Jornal do Brasil Leah Raney, diretora internacional de assuntos ambientais ! da Continental, sem revelar a proporção usada.

Tanto a jatropa quanto as algas lideram a corrida pelos biocombustíveis por não serem comestíveis e sua produção não ameaçar o meio-ambiente, como num excessivo uso de água. A pesquisa avançou tanto que a certificação está próxima.

– O biocombustível precisa ter as mesmas características do querosene. Por isso, no dia 24 de junho, o comitê de combustíveis de aviação da ASTM [organização de padrões internacionais] criou um certificado para o composto sintético denominado DXXXX, o primeiro passo para a aprovação – acrescenta.

A regionalização, fator que poderia ajudar sua expansão, é um dos princípios do certificado. Segundo a diretora da Continental, nos EUA estuda-se uma composição de biocombustível da camelina, uma planta que pode ser usada por agricultores americanos nos três anos de rotação em que as lavouras de alimentos precisam descansar.

– A camelina, além de repor nutrientes ao solo, tem produção! simples e geraria fonte de receita para o produtor rural que fica com o campo vazio no período – acrescenta Leah Raney.

Mercado de carbono

Se por si só a mistura de combustível com plantas torna o insumo, crítico no custo, mais barato, a redução nas emissões também pode virar fonte de renda. Um dos pontos altos do encontro em Cannes foi o anúncio da criação de um mercado de troca de créditos de carbono entre as companhias aéreas – responsáveis por 2% do volume total das emissões de gases poluentes. Quem produzir menos que sua média – e o exemplo do teste da Continental é significativo por isso – poderá vender o excedente e abrir uma nova e promissora fonte de recursos.

O chamado Emission Trade Schemes (ETS) ainda está em fase inicial, com quatro companhias aéreas que estão testando o primeiro software de monitoramento e verificação de emissões de carbono criado para o setor no mundo. Uma avaliação já foi feita, com sucesso, e outras três estão programadas até ag! osto. Em outubro, o software estará disponível para todos.

– Recomendo a todos que adotem o programa, porque faremos isso logo – comemorou Abdul Wahab Teffaha, secretário-geral da Arab Carriers Organization (AACO), entidade que reúne as 11 principais companhias do mundo árabe, ao anunciar a novidade. (M.A.)

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