Anúncio do Plano Safra desagrada setor

O lançamento do Plano Agrícola e Pecuário 2016/2017 foi classificado pelo setor agropecuário de Minas Gerais como intempestivo e inadequado. A crítica se deve ao fato de o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que até então mantinha diálogos com o setor produtivo, ter divulgado o projeto sem ouvir as considerações do único setor que ainda contribui positivamente para os resultados econômicos do País.

O aumento significativo das taxas de juros e a redução dos recursos em linhas consideradas essenciais também são medidas que poderão afetar o desenvolvimento da produção agrícola e pecuária.

Ao longo da safra 2016/17, serão disponibilizados pelo Plano Agrícola R$ 202,88 bilhões de crédito, valor 8% superior ao volume disponibilizado para safra anterior, que era de R$ 187,7 bilhões. O plano foi anunciado na última quarta-feira e estará disponível a partir do dia 1º de julho de 2016. Minas Gerais demanda em torno de 13% do valor total disponibilizado para o País.

De acordo com a coordenadora da assessoria técnica da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Aline Veloso, ao deixar de ouvir o setor, o Mapa criou um plano safra que não atende às demandas em relação ao seguro agrícola, ao Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) e a vários outros pontos considerados importantes.

“A antecipação aconteceu por uma questão estratégica do governo, que deseja ser visto com bons olhos pelo setor agropecuário, mas não é o que acontece. Realizamos encontros com associações, cooperativas e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e, juntos, elaboramos um documento para dar contribuições positivas e orientadas de acordo com a necessidade do segmento. O Mapa suspendeu a reunião junto ao setor e o plano foi lançado de forma intempestiva e inadequada”.

Ainda segundo a coordenadora da Faemg, as dúvidas em relação ao plano são muitas, inclusive se o volume de crédito prometido estará disponível para os produtores.

Ela destacou que, ao longo dos últimos meses, os recursos dos depósitos à vista e da poupança, que são direcionados ao crédito rural, têm caído, o que pode comprometer a oferta de crédito.

A elevação dos juros também foi considerada prejudicial. No Plano Safra 2015/16 as taxas variavam entre 7,5% e 10,5% ao ano, dependendo da linha de crédito, e para a próxima safra serão entre 8,5% e 12% ao ano.

A burocracia no processo de aprovação dos contratos e a demanda pelo cumprimento de exigências ambientais, que estão além das competências das entidades financeiras, também postergam o acesso aos valores do Plano Safra.

Outro questionamento foi a redução dos recursos de importantes linhas, como o Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA), cujo crédito disponível caiu de R$ 2 bilhões para R$ 1,4 bilhão.

Queda também nos valores do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), que passaram de R$ 5,3 bilhões para R$ 4,24 bilhões e do Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica na Produção Agropecuária (Inovagro) reduzidos de R$ 2 bilhões para R$ 1,4 bilhão.

Entre julho de 2015 e março de 2016, o volume de recursos do crédito rural acessado pelos produtores de Minas Gerais ficou 4% menor, somando R$ 14,79 bilhões. O montante representa 12,7% dos desembolsos totais feitos no País. O número de contratos, 217,8 mil, ficou 11% inferior.

Fonte: (Diário do Comércio)

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