AMERICANOS VÃO INVESTIR MAIS R$ 1,9 BILHÃO EM ETANOL NO PAÍS

Embora o momento seja de cautela, e até mesmo alguns projetos de novas usinas devam ficar na gaveta por enquanto, há quem não tenha perdido o ânimo. Em meio ao tormento da crise financeira, investidores privados norte-americanos não desistiram de investir R$ 1,9 bilhão na construção de cinco usinas para fabricar etanol na região de Anápolis, em Goiás.

A expectativa é de que até 2015 todas as unidades da Goiás Agroenergia estejam operando e, no total, deverão moer 10 milhões de toneladas de cana-de-açúcar (2 milhões de toneladas em cada planta) para a produção total de 900 milhões de litros do combustível – 180 milhões de litros por unidade. A previsão é de que a primeira unidade comece a operar a partir do segundo semestre de 2010 e as obras para levantar a usina devem começar em fevereiro do ano que vem. Cada uma das unidades receberá aporte de R$ 380 milhões.

“De certa forma, a crise não nos preocupa. Nossa visão é de longo prazo e esse projeto vem sendo estruturado desde 1999”, conta Vladimir Franco de Oliveira, CEO da Goiás Agroenergia. A companhia tem como sócios a Gaesa LP (formada por investidores privados norte-americanos), que detém 90% da empresa brasileira produtora de etanol, e os outros 10% são da sócia brasileira VIBO International – cuja atividade é comercializar tecnologias com o foco em agroenergia.

Segundo conta o executivo, 50% dos investimentos que serão aplicados no projeto são de capital privado e o restante tem origem de parceria com a Rio Bravo, gestora de recursos. Caso a crise encareça demais a parte da verba proveniente de empréstimo, os investidores privados irão arcar com 100% dos investimentos, esclareceu Oliveira. O fato de os recursos já estarem alocados para o andamento do projeto permite que os planos sigam a todo o vapor. “O projeto está bem estruturado. Esse é outro ponto favorável nesse momento.” O CEO diz, ainda, que a companhia trabalha com planejamento para vinte anos. Há estudos para dimensionar mercados consumidores e também já estão engatilhadas algumas negociações. “Não há nada fechado, mas identificamos clientes em potencial.”

Oliveira conta que, há alguns anos, o projeto chegou a despertar o interesse de investidores árabes e japoneses mas não foram firmadas parcerias por conta das exigências em relação ao prazo para retorno. “Esses investidores queriam retorno dos aportes em quatro anos, prazo que não é possível nesse setor. Consideramos no mínimo oito anos.”

Os mercados-alvo para o etanol da Goiás Agroenergia serão os Estados Unidos e a União Européia. Embora ainda não esteja concretizada a idéia, a companhia também levanta a hipótese de investir em logística no Brasil, uma das preocupações de muitos empresários do País. De acordo com avaliação do executivo, o transporte ferroviário seria a melhor opção porque é mais fácil de viabilizar em termos de custos. A companhia também vai comercializar energia.

ENCONTRO

O executivo da Goiás Agroenergia esteve presente a encontro do setor na última sexta-feira, em Sertãozinho, interior de São Paulo. Durante o encontro, foi divulgada a notícia de que o setor sucroalcooleiro e a indústria de base fornecedora do segmento estão traçando o mapa de suas necessidades para buscar a ajuda do governo federal diante do cenário da crise financeira mundial.

O documento deverá ser apresentado ao governo esta semana, provavelmente na quarta-feira. A junção de agendas dos elos da cadeia tem como objetivo organizar e fortalecer a ofensiva para a busca de soluções, entre elas, para a retomada do fluxo de crédito. Antes do estouro da crise financeira, muitas usinas já estavam endividadas por conta dos dois últimos anos ruins e de preços baixos do açúcar e etanol.

Também presente ao evento, o gerente de biocombustíveis do Banco Nacional Econômico e Social (BNDES), Paulo Faveret, afirmou que há um esforço concentrado do banco para atender às necessidades dos projetos do setor que já foram aprovados e dependem da contratação de recursos. Até setembro deste ano, R$ 4 bilhões foram liberados para projetos do setor.

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