Alta internacional do açúcar favorecerá balança comercial, diz ministro

A alta internacional do preço do açúcar afetará positivamente a balança comercial brasileira, mas não colocará em risco os estoques do produto no país nem afetará – pelo menos de imediato – o preço do etanol. No entanto, para o mercado interno, a tendência é que o consumidor acabe pagando um preço mais alto, tanto para o açúcar como para os seus derivados. As afirmações são do diretor de Cana-de-Açúcar, Água e Energia do Ministério da Agricultura, Cid Caldas.

Ele explica que a alta internacional foi motivada pelos efeitos da quebra de safra ocorrida na Índia. “Essa situação nos ajudará a ter uma balança comercial mais favorável. Só que o preço no mercado interno certamente subirá”, disse o diretor à Agência Brasil, sem estimar de quanto será esse aumento.

Segundo ele, em 2009 o preço médio da saca de 50 quilos de açúcar estava em R$ 47. “Esse preço vinha se mantendo até os últimos meses. Só que, com o cenário internacional favorecendo a alta do produto, já estamos registrando, neste ano, uma média de R$ 57 para a saca”.

Caldas garante não haver risco de haver desabastecimento de açúcar no mercado interno. Mas acredita que a demanda mundial afetará o preço para o consumidor brasileiro. “Como o açúcar é utilizado para a fabricação de diversos produtos, como doces, sorvetes e refrigerantes, é possível que a alta se estenda a outros produtos. Mas não ao etanol.”

“A margem para mudar a destinação da cana para a produção de açúcar ou de etanol é pequena. Atualmente, 55% são destinados à produção de açúcar, e 45% à de etanol. Essa previsão foi decidida no início da safra, pelo programa de financiamento de estoques. Tudo está devidamente certificado e, além dos mais de 2 bilhões de litros estocados, há também os já contratados”, acrescenta Caldas.

Após a quebra de sua safra de açúcar, a Índia se tornou a maior compradora do açúcar produzido no Brasil. De um total de 33 milhões de toneladas produzidas em 2009, 24 milhões foram exportadas. Desse volume, 19% – ou 4,6 milhões de toneladas – foram para a Índia. Em segundo lugar está a Rússia, que importou 2,7 milhões de toneladas.

Este ano, até outubro, o Brasil produziu 27 milhões de toneladas do produto. Dezenove milhões tiveram como destino o mercado externo.

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