Alcoolduto vai “estrangular” anel viário

Anunciado como grande benefício para o setor sucroalcooleiro pela capacidade de reduzir custos do transporte do etanol, o alcoolduto deverá trazer, por dia, uma média de 440 caminhões a mais para o anel viário de Ribeirão Preto.

Isso porque os caminhões que transportam o combustível das usinas da região para Paulínia vão passar a despejar o produto diretamente em Ribeirão, que será o ponto mais próximo do alcoolduto.

O número foi obtido pela Folha, levando em consideração a produção de usinas da região associadas à Unica (União da Indústria de Cana-de-açúcar).

A quantidade de veículos que será atraída para o terminal da Transpetro, subsidiária da Petrobras, na rodovia Alexandre Balbo, deverá estrangular o contorno viário do município, se não houver obras mitigadoras.

De acordo com José Felex, especialista em trânsito da USP de São Carlos, é preciso investimentos para dar suporte à frota que chegará a Ribeirão por todas as rodovias de acesso.

“Esse número de caminhões corresponde a 8.000 carros a mais, levando-se em conta a velocidade e o comprimento médios dos veículos que fazem esse tipo de transporte”, disse.

Para o especialista, o poder público precisa tomar providências para ampliar a capacidade do anel viário. “Será necessário colocar o equivalente a duas avenidas [no trajeto] para dar conta de toda essa movimentação.”

Na última safra (2009-2010), 48 usinas da região produziram 5,3 bilhões de litros de etanol, conforme dados da Unica -números deste ano ainda não foram fechados pela entidade.

Segundo Rodrigo Cuzzi, diretor comercial da Grycamp, empresa responsável pelo transporte de 35 milhões de litros do combustível por mês em Ribeirão, cada caminhão carrega, em média, 45 mil litros.

Segundo o Creso Peixoto, professor do Centro Universitário Moura Lacerda e especialista em transporte, o alcoolduto trará benefícios para a economia regional.

Ele concorda, no entanto, que o terminal poderá trazer também impactos negativos para o sistema viário, “que já tem problemas”.

Creso diz que, como o alcoolduto só entrará em operação em 2013, há tempo para ações preventivas.

Ele diz que, além de evitar o estrangulamento no fluxo, a circulação em massa de caminhões carregados do produto inflamável exigirá também a “requalificação” da segurança.

“Um eventual incidente com risco de explosão em um congestionamento de veículos com álcool pode tomar grandes proporções. Seria o caso de capacitar o Corpo de Bombeiros para esse tipo de situação.”

X