Álcool vira alternativa para motoboys

Correndo de cachorros, fugindo de ladrões e rodando muitas vezes 300 quilômetros por dia, os mototaxistas, a despeito de tudo o que se pensa sobre eles, podem ser considerados lutadores. As perspectivas de renda no trabalho também não são das melhores, e qualquer alternativa para aumento de lucro sempre é muito bem vinda, principalmente no instável cenário econômico atual.

A última alternativa encontrada por esses profissionais é a conversão de suas motos para que elas rodem com álcool, combustível que pode oferecer até 25% de economia com relação à gasolina.

Logicamente, a economia tem seu preço, e que neste caso é pago pelo carburador. Mas como o que realmente importa, na maioria das vezes, é o dinheiro que se economiza no dia-a-dia, a conversão virou prática comum entre motoqueiros. É o caso de Amarildo dos Passos, que comprou sua CG Titan em 2002. Amarildo só esperou pelas duas revisões garantidas pela fábrica para converter sua moto para o álcool, a um custo de R$ 20,00.

Para ganhar um dinheiro a mais, o álcool é uma alternativa interessante.

Mas Amarildo também explica o revés da decisão. Mensalmente, o carburador de sua moto precisa ser desmontado, limpo e regulado. O álcool junta uma espécie de limo no carburador que prejudica seu funcionamento, o que não ocorre com a gasolina, conta.

Outro mototaxista, Jonas Camargo, arranjou uma solução mais ‘prática para o problema: mistura querosene ao combustível. A moto falha um pouco no começo, mas logo o querosene é todo queimado, o carburador fica limpo e eu não preciso desmontar nada’, conta.

O serviço de limpeza do carburador é feito em qualquer oficina por cerca de R$ 10,00, mas os próprios motoqueiros preferem fazê-lo. Já a conversão, apesar de ser um processo relativamente simples, é feita por mecânicos especializados. O que fazemos é trocar os giclês da moto, que controlam o entrada de combustível no carburador explica Hilmar Ferreira da Silva, da Master Motos. Na verdade, a conversão ideal exigiria um aumento da taxa de compressão – já que a do álcool é maior que a da gasolina – feita com o rebaixamento do cabeçote. Como existe essa diferença entre as taxas, o desempenho da moto a álcool é pior do que a gasolina.

Outro inconveniente das motos a álcool já é velho conhecido dos donos de veículos que funcionam com esse combustível: a dificuldade de se dar partida em temperaturas baixas. Contra isso, os mototaxistas adotam como solução o famoso rabo de galo, ou a mistura de gasolina ao álcool. Jonas e Amarildo garantem que funciona.

A economia, segundo os motoqueiros, realmente é efetiva. Para se rodar 100 km com uma moto a gasolina, por exemplo, gasta-se cerca de R$ 6,00. Com uma moto a álcool, o mesmo percurso seria feito com R$ 4,50, considerando-se os preços de combustíveis em Londrina. Enquanto uma moto a gasolina de 125 cilindradas – a preferida pelos motoboys – faz 35 km/litro, o mesmo modelo a álcool faz 25 km/litro. A economia está justamente na diferença de preço entre os combustíveis.

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