Álcool não pode perder a vantagem

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Comparando-se com uma classificação de campeonato de futebol, pode-se dizer que o álcool combustível vinha subindo no ranking competitivo, aproximando-se cada vez mais da gasolina no arranjo classificatório, mas neste momento tal ascensão entrou em risco no mercado consumidor. A razão é óbvia, de um óbvio ululante mesmo, como dizia o dramaturgo Nelson Rodrigues. O álcool está ficando com a sua grande vantagem, o preço, comprometida.

Hélio Rocha

Em Goiás, a gradativa redução da vantagem, nos últimos meses, pode ser apontada como decorrência de algo semelhante ao que a historiadora norte-americana Bárbara Tuchman (1912-1989) definiu como a marcha da insensatez. Ou seja: uma situação estável é colocada a perder por culpa de decisões insensatas, as quais, no curso da história, causam até as tragédias das guerras.

Nesta questão do etanol, a insensatez está na elevação dos preços, nas bombas, do álcool combust! ível. Em Goiás tal insensatez pode ser considerada ainda mais acentuada, levando-se em conta que em maio o governo do Estado reduziu em seis pontos porcentuais (de 26% para 20%) o ICMS incidente sobre o produto e evidentemente tal redução acabou não beneficiando o consumidor, pois, em vez de cair, o custo do álcool na bomba dos postos de distribuição subiu. Mencione-se ainda o fato de que em Goiás a incidência do ICMS sobre o etanol é a terceira menor no País, abaixo apenas de São Paulo (12%) e do Paraná (18%).

Existe quase que um consenso segundo o qual compensa mesmo, considerando-se também o desempenho do motor, encher o tanque dos veículos automotores com álcool combustível, se esta alternativa estiver custando até 70% do valor da gasolina. Se o preço do etanol continuar subindo, essa marca pode ser ultrapassada e o consumidor perderá o interesse. Lembre-se ainda que cresceu muito o número de veículos flex, abastecidos tanto faz com álcool como gasolina, em circulação.

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Em questões como esta sempre vale lembrar o que já aconteceu de semelhante. Anos atrás, quando circulavam muitos veículos abastecidos apenas a álcool, ocorreu um desabastecimento em elevado grau. Isto comprometeu até a fabricação dos veículos alternativos, que deixaram a linha de produção. Hoje seria catastrófico algo semelhante e este é mais um forte motivo para todos se juntarem para deter a marcha da insensatez.

Como os ambientalistas também apontam o combustível verde como menos agressivo à natureza, a causa do etanol precisa ser assumida também pelos ecodefensores, pois estão estes, felizmente, cada vez mais influentes junto à opinião pública.

O crescimento da produção de etanol constitui um interesse relevante da economia goiana, pois no Estado já operam cerca de 30 usinas e existe uma perspectiva de contínua expansão. Como a cadeia do sistema produtivo do combustível verde gera empregos em significativa escala, isto acrescenta também o interesse social impl! ícito ao crescimento do mercado de trabalho.

Que se juntem, pois, todos os segmentos direta ou indiretamente envolvidos para uma grande e muito determinada reflexão, em busca dos meios para que o álcool não perca a sua vantagem competitiva no mercado de combustíveis.

Hélio Rocha é colunista do POPULAR

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