Álcool líquido volta em versão “light”

O álcool líquido está de volta ao mercado, agora em versão “light”. Depois da proibição da venda do produto e do fracasso do álcool em gel, o líquido retorna com menos álcool e mais água. De acordo com resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), de fevereiro do ano passado, é permitida a venda de álcool para uso doméstico com graduação de até 54º GL, contra anteriores 96º GL.

De acordo com o presidente da Usinas e Destilarias do Oeste Paulista (Udop), Luiz Guilherme Zancaner, o novo produto líquido contém menos da metade de álcool da versão anterior. “Antes você comprava um litro de álcool. Hoje você compra meio litro e o resto é água”, afirma.

Quando da proibição, a Anvisa alegou que o álcool doméstico era o maior responsável por ocorrências de queimaduras no País. Segundo a agência, a média brasileira até o ano passado era de 150 mil queimaduras com álcool por ano – 45 mil delas tendo como vítimas crianças de até 12 anos. O uso do álcool gel, cuja viscosidade impede o derramamento, já teria contribuído para diminuir sensivelmente o número de acidentes.

Para Zancaner, no entanto, o preço do gel inibiu o consumo. “O álcool gel não pegou pelo custo”, diz. Antes, o litro do álcool não ultrapassava R$ 1,50. No caso do gel, o preço é quase o dobro. “A camada mais baixa da população não tem poder aquisitivo para ter esse tipo de luxo pela segurança, afirma o presidente da Udop.

A saída das empresas foi voltar a produzir o álcool líquido, mas respeitando as determinações da Anvisa. “Essa é uma maneira de continuar a comercializar o álcool líquido, já que ele ficou proibido nas especificações técnicas como era anteriormente”, diz Zancaner. Segundo ele, a produção de álcool para consumo doméstico ocupa uma fatia menor que 5% da produção total do produto.

Para evitar a ingestão – acidental ou não – do álcool líquido, os produtores agora também são obrigados a adicionar um desnaturante à formula, para dar gosto ruim ao álcool.

“Aguado”

Nos supermercados, os consumidores aprovam a volta do álcool líquido, mesmo com a graduação alcoólica menor. De fato, o gel não havia agradado. “O gel não funciona muito bem. E é caro”, afirma a jornalista Ilda Ponce Dellasta. Ela, que usa o álcool basicamente na limpeza doméstica, não havia notado que o novo produto está mais “aguado”. “Na última compra eu voltei a levar o líquido, mas não tinha observado que estava mais fraco”, conta.

Já a doméstica Ana Maria Mendonça, que adiciona álcool a amaciante para facilitar o trabalho de passar roupas, preferia que o álcool voltasse a ser concentrado. “Seria uma boa como era antes, mas não pode”, lamenta. Ela também afirma não ter gostado do gel.

A hora de passar roupa também ficou pior para a professora Ruth Maria da Silva. “Está bem mais fraco. A gente percebe que ele não evapora, que ficam umas manchas de água na roupa”, diz. Ela também observa que o álcool mais fraco não serve para acender a churrasqueira. “Encharca todo o carvão”, aponta.

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