Álcool chega ao consumidor 38% mais caro

Quando o álcool é produzido nas usinas, ele tem custo estimado de R$ 0,76. Incluídos os impostos que incidem sobre o combustível – PIS/Cofins e ICMS (no caso, o do Estado de São Paulo) -, o litro é vendido pelos produtores a um valor médio de R$ 0,92.

Segundo Antonio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), as distribuidoras, únicas autorizadas a comprar o combustível nas usinas, o revendem aos postos revendedores por um preço médio de R$ 1,10. Os R$ 0,20 acrescidos referem-se ao custo com a logística, para realizar o transporte do álcool para os postos, recolhimento de impostos da empresa e sua margem de lucro, explica Pádua.

De acordo com dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo), responsável pela fiscalização dos postos e divulgação semanal do preço dos combustíveis, no Grande ABC o preço médio estava em R$ 1,27 na última semana. A diferença entre o preço que é vendido na usina e o que chega ao consumidor é de R$ 0,35 por litro, ou 27,5% a mais. Em um carro popular 1.0, cujo tanque tem 45 litros, a diferença é de quase R$ 16.

Existem ainda outros fatores que oneram o preço final do combustível. O professor Antonio Buainain, do Instituto de Economia da Unicamp, afirma que a distribuição do combustível tem um custo alto por ser feita por caminhões. “Se houvesse um alcoolduto, teríamos um ganho financeiro e ambiental”, afirma.

Para José Antonio Gonzalez Garcia, presidente do Regran (sindicato dos postos da região), o preço ideal do álcool seria R$ 1 para o consumidor. “Os usineiros ganham muito”, afirma. De acordo com seus cálculos, se o produtor vendesse às usinas o litro por R$ 0,35, e essas revendessem por R$ 0,50 para as distribuidoras, poderia chegar aos postos por R$ 0,65. “Isso seria possível se o governo cobrasse os impostos dos usineiros e não das distribuidoras, pois existem muitas que sonegam ou acrescentam água no combustível”.

Garcia complementa que, “se o ICMS fosse único em todo o País, não haveria tanta disparidade entre preços nos diferentes Estados. O álcool é produzido em todo lugar, então o preço deveria ser semelhante”. Toninho também afirma que as distribuidoras praticam diferentes preços por vezes até entre postos da mesma bandeira, que chega até R$ 0,20. “Se existisse uma regulação, o preço seria mais justo”.

Para o Sindicom (sindicato nacional das distribuidoras), esse é um mercado livre e altamente concorrente e se as usinas passam um valor maior para as distribuidoras, elas acabam repassando.

Já na opinião de Sérgio Groba, gerente do negócio de postos do Grupo Pão-de-Açúcar, é possível trabalhar em condições vantajosas de valores porque a quantidade comprada é muito grande. “Conseguimos reduzir o preço em até R$ 0,03 o litro”. Outra estratégia é comprar de diferentes distribuidoras, em vez de uma só. Mas isso só é possível para os postos que não têm bandeira.

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