Álcool brasileiro

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É com grande tristeza que vamos assistindo diversos grupos norte-americanos e europeus comprando usinas de álcool por todo o país. Há exatos quatro anos, escrevi alertando a sociedade brasileira, especialmente senadores e deputados dessa possibilidade e fiz algumas propostas, interessantes segundo alguns.

E, se não bastasse isso, vemos ainda o álcool perder a competitividade, em comparação com a gasolina, por quase todo o país, sobrando apenas o Estado de Mato Grosso, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), que fez um levantamento do preço do litro do álcool hidratado (etanol) entre os dias 16 e 22 de janeiro. Essa pesquisa mostrou que até em São Paulo não é mais vantajoso abastecer com álcool. E olha que é neste estado que se produz 60% do etanol nacional e o que tem a menor alíquota de ICMS (12%). A conta está no limite, ou seja, recomenda-se abastecer com etanol quando o seu preço é inferior a 70% da cotação d a gasolina. Além de São Paulo, também Tocantins e Goiás estão nessa situação de empate.

Em meu artigo, queria que a classe política estivesse mais atenta e atuasse. Era preciso proteger a tecnologia nacional, o “know how” brasileiro, impedir que as potências estrangeiras comprassem as “nossas” usinas. Agindo dessa forma, um empresário estrangeiro não soma, antes, subtrai. O país precisa abrir novas fronteiras. O capital externo deveria entrar no país construindo novas usinas e provendo novos fornecedores de cana. E, ainda, pagando “royalties”.

Além da desnacionalização das usinas, também estamos assistindo algo incrível, falta cana! Lemos nos jornais que usineiros da região de Ribeirão Preto fazem “lobby” contra a instalação de novas usinas. Na região, há 56 usinas de açúcar e álcool, quase 13% do total do país. As usinas estão fechando contratos com produtores de cana para não perder fornecedores.

Essa desvantagem do álcool sobre a gasolina ainda pode afetar a saúde de milhões de brasileiros que moram na Região Metropolitana de São Paulo que conseguiu reduzir a poluição do ar graças também à mistura de álcool à gasolina a partir dos anos 1990. O aumento da frota de veículos também vai comprometendo os ganhos anteriores. Vemos na imprensa que a poluição do ar aumenta as doenças respiratórias e cardíacas, ocorrendo 12 mil internações anuais, além de 875 as mortes. Os mais afetados com as doenças crônicas são as crianças e os idosos.

Como vemos, é uma cadeia de eventos que agrava a situação nacional. Também considero uma vergonha nacional os Estados Unidos produzirem mais álcool que o Brasil, e etanol de milho, um alimento importante. Precisamos de uma política que fomente a produção. Não custa lembrar que o Brasil tem três milhões de hectares de cana para o álcool, podendo usar outros 22 milhões para o cultivo. O mesmo não acontece com os EUA. E eles querem adicionar 20% de álcool à gasolina até 2017. Um excelente negócio para o Brasil, se soubermos aproveitar.

MARIO EUGENIO SATURNO é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), professor do Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva

mariosaturno@uol.com.br

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