Álcool: Brasil e EUA precisam promover o livre comércio, diz Unica

A abertura do mercado de álcool combustível e a consolidação da indústria sucroalcooleira no Brasil foram os temas que dominaram as perguntas dos participantes no seminário promovido pela União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica), dentro do Sugar Club Dinner, que reúne participantes do setor durante a semana inteira em Nova York. Em relação ao acesso a mercados para o etanol brasileiro, o presidente da Unica, Eduardo Pereira de Carvalho, defendeu a ampliação das conversas entre Brasil e Estados Unidos em direção ao livre mercado.

“Temos discutido bastante o acesso de etanol a mercados internacionais e, no final do dia, a discussão resume-se ao fato de que há apenas dois grandes produtores e consumidores de álcool combustível no mundo, o Brasil e os EUA”, disse Carvalho à platéia de analistas e empresários. Para ele, os dois países deveriam se esforçar para promover o livre comércio, pois tal iniciativa beneficiaria os respectivos mercados de álcool etanol “Temos que trabalhar em conjunto, e isso significa livre comércio”, afirmou.

Segundo ele, para outros tipos de combustíveis, já há o livre comércio. O etanol, como fonte alternativa de combustível, não pode se dar ao luxo de ter forte volatilidade de preços por conta de qualquer oscilação de oferta. “Para que isso não ocorra, é preciso uma sintonia entre os produtores dos dois países. Espero que os produtores de milho (que fabricam etanol a partir do cereal) do Meio-Oeste entendam essa necessidade”, afirmou.

Quanto à questão da consolidação da indústria sucroalcooleira, o presidente da Cosan Rubens Ometto Silveira Mello, disse que o processo precisa continuar. Ele prevê que nos próximos 5 a 6 anos, o setor deverá se consolidar. “Não há mais espaço para o pequeno produtor que não consegue reduzir custos de exportação e não se organiza para comercializar o produto”, afirmou Ometto.

Ele acredita que ao final desse processo de consolidação, haverá apenas 15 a 20 associações de produção e comercialização de açúcar e álcool no País. Há hoje 320 indústrias sucroalcooleiras no País, disse Eduardo de Carvalho. Ele acredita que o processo de consolidação do setor deverá continuar, especialmente tendo como objetivo a economia de escala.

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