Agricultores e empresários discutem Produção Integrada de Cana

Capacitar técnicos, agricultores e empresários para produção sustentável da cana é um dos objetivos do 1º Workshop de Produção Integrada de Cana-de-Açúcar, que será realizado nesta quinta-feira (11-11), em Maringá (PR). O encontro faz parte das ações do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para estimular a produção agrícola sustentável de alimentos e outros produtos agropecuários.

“O cenário mercadológico, principalmente o internacional, indica que os consumidores buscam cada vez mais produtos de qualidade, com selo de produção sustentável, atendendo normas de segurança alimentar e rastreabilidade”, afirma o coordenador de Produção Integrada da Cadeia Agrícola do Ministério da Agricultura, Adilson Kososki.

Ele acredita que países importadores de etanol poderão impor exigências a partir do próximo ano. “A União Europeia já sinalizou que todo biocombustível consumido naquele bloco econômico será certificado e aprovado como sustentável”, explica Adilson. Para o coordenador, com a adesão dos produtores de cana-de-açúcar ao sistema de produção integrada, o país poderá dar mais suporte às commodities derivadas da cana-de-açúcar, que são o etanol e o açúcar.

A Produção Integrada Agropecuária (PI Brasil), instituída pelo Ministério da Agricultura em agosto deste ano, proporciona produtos seguros e com qualidade, diminui o consumo de água, energia, fertilizantes e agrotóxicos, reduzindo o impacto ao meio ambiente. A produção segue normas técnicas específicas para certificação de todo produto agrícola de origem vegetal ou animal. As diretrizes são elaboradas por comitês formados por especialistas de órgãos públicos e privados, além de representantes de cooperativas e empresas, e analisadas pelo Ministério da Agricultura. As regras estão relacionadas à capacitação de produtores rurais, manejo racional do solo, responsabilidade ambiental, segurança alimentar e rastreabilidade.

A certificação é responsabilidade de empresas privadas (certificadoras) acreditadas pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro). Essas certificadoras auditam as propriedades que aderem ao sistema espontaneamente. Uma vez atendidas todas as exigências, o produto recebe o reconhecimento oficial. “O selo PI Brasil é a garantia de que todos os itens da norma técnica foram cumpridos, consequentemente, estão certificados”, completa Kososki.

Hoje há 19 itens oriundos da produção integrada normatizados no Brasil, incluindo abacaxi, banana, caju, caqui e citros. Estão em desenvolvimento mais 22 cadeias produtivas, como ameixa, amendoim, arroz, batata, tomate e flores. O coordenador explica que o sistema foi adotado no país pelos produtores de maçã, a partir de 2001, por exigência de certificação do mercado europeu.

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