Agrenco Holding pede aval para recuperação judicial

A Agrenco decidirá no fim deste mês se a Agrenco Holding poderá requerer em Bermudas, sua sede, o equivalente local da recuperação judicial, a exemplo do pedido feito por suas controladas no Brasil. A proposta será apreciada em assembléia geral extraordinária no dia 27 de outubro.

O instrumento faz parte de uma estratégia de proteção dos ativos da holding, e não trata da liquidação de seus ativos, afirma Marco Antonio de Modesti, gerente de relações com investidores da Agrenco. “É uma exigência do estatuto da empresa. O winding up (nome do instrumento em inglês) não será necessariamente utilizado, mas o conselho terá a possibilidade de adotá-lo caso seja necessário. É uma precaução.”

A holding, listada na bolsa de Luxemburgo, não tem credores, funcionários ou atividades operacionais, mas foi garantidora de alguns empréstimos das controladas no Brasil. “A idéia é não ficar engessada caso o instrumento seja necessário”, diz Modesti. “Mas o ponto fundamental é que essa não é uma liquidação.”

No Brasil, a Agrenco apresentou o pedido de recuperação judicial em 27 de agosto, na esteira de problemas para o pagamento de fornecedores. O momento de maior tensão aconteceu com a prisão, em junho, de três dos principais executivos da empresa, acusados de sonegação fiscal, corrupção e lavagem de dinheiro.

O pedido de recuperação judicial foi aprovado pela 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca de São Paulo no dia 23 de setembro. A contar dessa data, a empresa terá 60 dias para apresentar os detalhes de seu plano de recuperação – a elaboração do plano tem sido feita em conjunto com a empresa Íntegra Associados. Quatro empresas do grupo foram incluídas no plano: Agrenco Administração de Bens, Agrenco do Brasil, Agrenco Bioenergia e Agrenco Serviços de Armazenagem.

Os primeiros contatos com os credores já foram feitos, afirma Modesti. Segundo ele, os três grupos interessados em assumir a Agrenco permanecem em negociação com a companhia – o francês Louis Dreyfus, o asiático Noble e a suíça Glencore.

Chegou a circular notícia de que outras três companhias, cujos nomes não foram revelados, tinham interesse em assumir a Agrenco, mas as conversas não seguiram adiante, afirma Modesti.

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