Açúcar tem maior alta em oito anos

Os preços dos contratos do açúcar refinado em Londres subiram atingindo o seu maior nível desde dezembro de 1997 ante a possibilidade de que o custo sem precedentes do petróleo aumente a demanda do combustível de etanol, mais barato, extraído da cana-de-açúcar.

O açúcar refinado para entrega em outubro, avançou pelo sétimo dia de negociação, subindo US$ 9,49, ou 3,1%, para US$ 311 a tonelada, no mercado Liffe de Londres. Esse é o preço de fechamento mais elevado para o contrato com entrega próxima desde de 5 de dezembro de 1997. O mercado esteve fechado na segunda-feira devido a um feriado.

O petróleo subiu ontem registrando o recorde de US$ 70,85 o barril em Nova York depois da passagem do furacão Katrina pelo Golfo do México, onde se extrai quase um terço do petróleo dos Estados Unidos.

“O preço da energia é o que mais impulsiona o mercado tanto do açúcar refinado quanto do demerara”, afirma Sam Tilley, chefe de pesquisa da Sucden U. K., operadora de commodities, com sede em Londres. “O açúcar é visto cada vez mais como fonte de produtos de energia, com o uso da cana para a produção de etanol como combustível alternativo”.

Os preços da gasolina aumentaram muito no último ano, quando os preços do barrido do petróleo ficaram 65% mais caros, elevando a demanda por etanol, que o Brasil produz a partir da cana-de-açúcar. O Brasil é o maior produtor mundial de açúcar. Os veículos que usam “flex-fuel”, cujos motoristas podem variar a quantidade de gasolina, ou de etanol que consomem, representam 48% das vendas de automóveis no Brasil. Nos últimos três meses os preços subiram 27%. Os futuros do açúcar bruto em Nova York subiram 16%.

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