A safra de cana no Brasil e o efeito da possível mudança de clima

Julio Maria M. Borges*

O registro de chuvas está acima da média no Centro-Sul, o que deixou a seca verificada no primeiro semestre mais amenas. Na região Norte-Nordeste, as chuvas ocorrem abaixo da média desde maio, o que apresentam sinais de El Niño. E o que significa isto para a próxima safra de cana no Brasil?

Caso o fenômeno se defina nos próximos meses, teremos maior rendimento agrícola no Centro-Sul e maior quantidade de cana que na atual safra, que deve mostrar uma moagem entre 550 e 560 milhões de toneladas. No caso da região Centro-Sul,  a área de cana disponível para corte não tem aumentado.

No Norte-Nordeste ocorrerá o contrário, tendo um clima mais seco. O rendimento agrícola diminui e é esperada uma menor quantidade de cana,  sem considerar algum aumento de área disponível para corte. Nesta safra, a região deve moer algo em torno de 47 milhões de cana.

Centro-Sul

A chuva no mês de outubro (média ponderada entre os Estados e suas respectivas áreas de cana) foi de 176 milímetros (mm). A média histórica (24 anos) é de 119 mm. No acumulado da safra (abril-outubro) choveu cerca de 417 mm no Centro-Sul, cerca de 95% da média histórica (439 mm).

Em São Paulo, nas áreas produtoras de cana-de-açúcar, no acumulado da safra houve cerca de 403 mm, cerca de 92% da média histórica (437 mm).

Norte-Nordeste

De acordo com nosso monitoramento de clima, a chuva no mês de outubro foi de 12 mm, bem abaixo da média histórica (24 anos) de 41 mm. No acumulado da safra (setembro/18-outubro/18) choveu cerca de 30 mm no Norte-Nordeste, cerca de 30% da média histórica (99 mm).

*Sócio-Diretor da JOB Economia e Planejamento.

Email: julioborges@jobeconomia.com.br

Site: www.jobeconomia.com.br

Artigo originalmente disponibilizado no portal Canal Rural 

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