A gestão de risco ambiental empresarial

A gestão do risco é parte integrante do desenvolvimento humano sustentável, no quadro de uma agenda universal que procura aumentar o bem-estar da maioria da população do planeta. Lamentavelmente, existe na prática uma segregação conceitual e operativa entre políticas de desenvolvimento e de gestão do risco.

A realização prática destes compromissos permitirá potenciar as capacidades globais, regionais, nacionais e locais para enfrentar condições de risco iminentes, presentes e futuras. As soluções a nível internacional não podem ser aceitáveis para concretizar a redução do risco a nível local. O risco pode-se representar de múltiplas formas, segundo se trata da sua dimensão social, econômica, ambiental ou política. Para tal, deve-se redobrar esforços para desenvolver políticas e conceitos comuns para expressar as múltiplas facetas do risco, com o fim de melhorar a forma de diálogo entre os diferentes atores sociais e dentro dos diversos gêneros as múltiplas dimensões do risco, educando as gerações futuras sobre próximos riscos. Face à prevalência de argumentos que propõem que a redução de riscos é excessivamente custosa, desde uma perspectiva de custo/benefício, recordamos que existem também outros critérios não econômicos para avaliar as medidas de redução do risco.

A prevenção deve ser encarada como um sábio investimento e não apenas como um custo. Uma gestão efetiva do risco requer condições de governabilidade que permitam a aposta em aplicação de políticas de redução de riscos de desastres.

Para tanto, deve-se apelar à participação do setor privado na redução de riscos de desastres mediante a criação de incentivos, com o fim de fortalecer a responsabilidade social e ambiental das empresas. A gestão do risco é uma responsabilidade inerente do Estado. Tanto o risco, como o desempenho da gestão do risco, requerem mecanismos de acompanhamento que permitam detectar tendências, identificar lucros e boas práticas, e denunciar a negligência, a corrupção e as práticas que perpetuam condições de risco. Tal requer um sistema de controles e de prestação de contas, por parte da entidade do estado com competências para fiscalizar, reforçando a transparência da gestão pública e privada do risco. Surgem novos desafios associados aos processos de globalização econômica, migrações internacionais e mega projetos de infra-estruturas. As regras atuais que regem as relações econômicas internacionais e a nova ordem econômica mundial devem ser estudadas e aplicadas a partir de uma perspectiva de redução de riscos. As alterações globais ambientais estão acelerando as ameaças existentes, configurando novos cenários de risco em muitos países. Estes cenários derivam de processos complexos de degradação ambiental, urbanização não planificada e desenvolvimentos tecnológicos sem adequadas medidas de controlo. Tal requer uma gestão prospectiva do risco que privilegie os investimentos responsáveis em prevenção e atenuação, tanto em contextos de desenvolvimento como nos processos de reabilitação e reconstrução Perante os desafios ambientais que depara a sociedade global, os governos dos Estados devem saber gerir a sua parte de responsabilidade de forma a conseguir uma eco-vantagem.

O mundo empresarial e o mundo natural estão inextrincavelmente unidos. A economia e a sociedade dependem dos recursos naturais, dado que, todos os produtos provem de algo que se extraiu ou cultivou. O meio ambiente oferece um apoio fundamental ao sistema econômico com capital natural, não financeiro. Existem cada vez, mais provas, de que sistematicamente estamos a exaurir a nossa base de recursos e alguns dos nossos vitais sistemas de apoio. Enquanto o mundo empresarial não tiver a consciência de que muitos recursos naturais são finitos, continuarão a surgir em paralelo, uma segunda realidade, a de que os limites podem criar oportunidades. As empresas que melhor administrem o que oferece a natureza e os seus limites reduzirão as suas vulnerabilidades e serão líderes no universo dos seus competidores.

Roberto Roche,PDSc

Coordenador de QSMS

robertoroche@rroche.com.br

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