A agricultura do século 21

A compreensão da natureza somente é possível através de um enfoque geral, holístico, observando ciclos, trabalhando com sistemas, respeitando inter-relações e proporções. A relatividade que Einstein descobriu a força atômica vale para toda a natureza.

O enfoque temático-analítico que orienta toda a ciência atual também predomina na agricultura introduzida pela “Revolução Verde” e levou ao trabalho com fatores isolados, perdendo-se a visão geral, a visão do “todo”.

A agricultura das últimas décadas foi marcada por um grande aumento da produtividade devido a mecanização, emprego de insumos químicos como fertilizantes, reguladores de crescimento e agrotóxicos, sofisticação de técnicas de cultivo e, principalmente, pelo melhoramento genético dos cultivares. As alterações no sistema de produção levaram ao fato que, no ano de 1988, um agricultor produzia alimentos em media para 68 pessoas, enquanto que no inicio do século um agricultor sustentava apenas a si mesmo e mais quatro pessoas. No entanto, esses esforços para aumentar a produtividade, sem se preocupar com a sustentabilidade, tem o seu preço, isto é, nem sempre se atentou para os custos ambientais e sociais dessa tecnologia.

A crescente produção de alimentos de forma insustentável, com suas práticas e técnicas modernas tem causado serias agressões ao ambiente, tais como: erosões, perda da fertilidade do solo, destruição dos ecossistemas ocasionando perda da biodiversidade, desperdício de água e energia, contaminações por pesticidas e fertilizantes, entre outras. Podemos dizer, em resumo, que os impactos da agricultura atual tem causado prejuízos de ordem econômica, ambiental, de saúde pública e social.

Hoje, porém, um dos grandes desafios da humanidade é ser capaz de produzir alimentos para atender a demanda da população mundial crescente, que estima-se chegar a 8,5 bilhões de pessoas no ano 2.020.

Para se vencer esse desafio, mudanças estão ocorrendo rapidamente em muitos setores da produção, num processo bastante dinâmico. Nesse contexto, podemos mencionar significativos avanços, tais como: biotecnologia, meios e processos de produção, agricultura de precisão, uso de GPS, segurança química (moléculas mais seguras ambientalmente), uma maior consciência no manejo dos recursos naturais e na preservação da biodiversidade, um início de despertar para os problemas sociais e sobre a dinâmica demográfica, sempre em busca da qualidade total, onde encontra-se outro desafio que é o de adaptar produtos e processos de produção à questão ambiental.

Está atualmente em discussão a série ISO 14000, que irá estabelecer padrões de gestão das atividades produtivas e critérios de certificação dos produtos segundo seu impacto sobre o ambiente.

Dentro dessa proposta, a ISO 14000 vai afetar diretamente a vida dos consumidores, que passarão a dispor do fator ambiental na escolha de seus produtos, contribuindo de forma mais efetiva para impedir a degradação dos recursos naturais.

Mas para isso é necessário despertar a consciência pessoal para vencermos os desafios de um desenvolvimento sustentável da agricultura, que deve ser: economicamente viável, isto é, deve produzir com custos compatíveis e competitivos, tanto no mercado interno como externo;

ecologicamente saudável, conservando e recuperando o ambiente como um todo, preservando os recursos naturais, garantindo a produtividade e qualidade usando o mínimo de insumos químicos sintéticos, dando sempre prioridade `as técnicas e práticas ecologicamente sustentáveis, preservar a biodiversidade e potencializar os recursos naturais; socialmente justo, satisfazendo as necessidades humanas de alimentos e de renda, e culturalmente apropriado, valorizando as tradições, crenças e a cultura de cada povo.

Esses itens estão se tornando objetivos explícitos de leis e políticas agrícolas de alguns países como Estados Unidos, Alemanha, Áustria, Holanda, Cuba, Costa Rica, Malásia entre outros.

A pergunta é: Por que não recuperar o equilíbrio quebrado, por que não reestabelecer os sistemas naturais e por que não trabalhar com as inter-relações dos fatores?

Pela visão holística-sistêmica desaparecem os fatores isolados e aparece o conjunto dinâmico que rege toda a natureza.

Eng. Agr. Francisco José Severino – e-mail su@cati.sp.gov.br

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A agricultura do século 21

” Nenhuma atividade humana, nem mesmo a medicina, tem tanta importância para a saúde quanto a agricultura”. ( Dr. Pierre Delbet, Academia Francesa de Medicina)

A compreensão da natureza somente é possível através de um enfoque geral, holístico, observando ciclos, trabalhando com sistemas, respeitando inter-relações e proporções. A relatividade que Einstein descobriu a força atômica vale para toda a natureza.

O enfoque temático-analítico que orienta toda a ciência atual também predomina na agricultura introduzida pela “Revolução Verde” e levou ao trabalho com fatores isolados, perdendo-se a visão geral, a visão do “todo”.

A agricultura das últimas décadas foi marcada por um grande aumento da produtividade devido a mecanização, emprego de insumos químicos como fertilizantes, reguladores de crescimento e agrotóxicos, sofisticação de técnicas de cultivo e, principalmente, pelo melhoramento genético dos cultivares. As alterações no sistema de produção levaram ao fato que, no ano de 1988, um agricultor produzia alimentos em media para 68 pessoas, enquanto que no inicio do século um agricultor sustentava apenas a si mesmo e mais quatro pessoas. No entanto, esses esforços para aumentar a produtividade, sem se preocupar com a sustentabilidade, tem o seu preço, isto é, nem sempre se atentou para os custos ambientais e sociais dessa tecnologia.

A crescente produção de alimentos de forma insustentável, com suas práticas e técnicas modernas tem causado serias agressões ao ambiente, tais como: erosões, perda da fertilidade do solo, destruição dos ecossistemas ocasionando perda da biodiversidade, desperdício de água e energia, contaminações por pesticidas e fertilizantes, entre outras. Podemos dizer, em resumo, que os impactos da agricultura atual tem causado prejuízos de ordem econômica, ambiental, de saúde pública e social.

Hoje, porém, um dos grandes desafios da humanidade é ser capaz de produzir alimentos para atender a demanda da população mundial crescente, que estima-se chegar a 8,5 bilhões de pessoas no ano 2.020.

Para se vencer esse desafio, mudanças estão ocorrendo rapidamente em muitos setores da produção, num processo bastante dinâmico. Nesse contexto, podemos mencionar significativos avanços, tais como: biotecnologia, meios e processos de produção, agricultura de precisão, uso de GPS, segurança química (moléculas mais seguras ambientalmente), uma maior consciência no manejo dos recursos naturais e na preservação da biodiversidade, um início de despertar para os problemas sociais e sobre a dinâmica demográfica, sempre em busca da qualidade total, onde encontra-se outro desafio que é o de adaptar produtos e processos de produção à questão ambiental.

Está atualmente em discussão a série ISO 14000, que irá estabelecer padrões de gestão das atividades produtivas e critérios de certificação dos produtos segundo seu impacto sobre o ambiente.

Dentro dessa proposta, a ISO 14000 vai afetar diretamente a vida dos consumidores, que passarão a dispor do fator ambiental na escolha de seus produtos, contribuindo de forma mais efetiva para impedir a degradação dos recursos naturais.

Mas para isso é necessário despertar a consciência pessoal para vencermos os desafios de um desenvolvimento sustentável da agricultura, que deve ser: economicamente viável, isto é, deve produzir com custos compatíveis e competitivos, tanto no mercado interno como externo;

ecologicamente saudável, conservando e recuperando o ambiente como um todo, preservando os recursos naturais, garantindo a produtividade e qualidade usando o mínimo de insumos químicos sintéticos, dando sempre prioridade `as técnicas e práticas ecologicamente sustentáveis, preservar a biodiversidade e potencializar os recursos naturais; socialmente justo, satisfazendo as necessidades humanas de alimentos e de renda, e culturalmente apropriado, valorizando as tradições, crenças e a cultura de cada povo.

Esses itens estão se tornando objetivos explícitos de leis e políticas agrícolas de alguns países como Estados Unidos, Alemanha, Áustria, Holanda, Cuba, Costa Rica, Malásia entre outros.

A pergunta é: Por que não recuperar o equilíbrio quebrado, por que não reestabelecer os sistemas naturais e por que não trabalhar com as inter-relações dos fatores?

Pela visão holística-sistêmica desaparecem os fatores isolados e aparece o conjunto dinâmico que rege toda a natureza.

Eng. Agr. Francisco José Severino – e-mail su@cati.sp.gov.br

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