Boa gestão é essencial para preservar sua empresa na crise

Os momentos de crise são aqueles em que as habilidades de empresários e gestores são mais exigidas. Primeiro porque, por razões óbvias, os riscos a que as empresas estão expostas são muito mais agudos. Além disso, em grande parte dos casos, não basta aos administradores conduzir seus negócios com correção, já que as ameaças do ambiente externo, as limitações características dos mercados em momentos delicados e a retração que afeta todos os agentes da economia, principalmente os consumidores, são fatores que estão fora do controle de quem toca um empreendimento.

Pensando desde as grandes corporações, até os pequenos negócios, o maior desafio durante uma crise é manter a solidez da empresa, fazer o costumeiro com menos recursos, com um mercado menor, com restrições ao crédito e com sufocantes barreiras impostas pelos governos. Porém, na maioria das vezes, é possível sair de uma crise com o empreendimento fortalecido, justamente pelos resultados advindos dos esforços necessários para organizar e melhorar a estrutura empresarial. Devemos sempre crer que os momentos de dificuldades econômicas não são necessariamente sentenças de morte para os negócios.

Afinal, como é possível enfrentar o fantasma da crise e sobreviver às turbulências? Basicamente, investindo em uma boa gestão empresarial. Pode parecer apenas um termo bonito para servir de boia de salvação aos administradores que se veem em dificuldades. Mas a maioria das empresas, infelizmente, não conta com recursos e estruturas adequadas à boa gestão exigidas em situações de crise.

Um dos termos que surgem quando é necessário valorizar-se a boa gestão empresarial é governança corporativa. Quando olhamos para uma crise, logo percebemos que, entre tantos fatores que favorecem e concorrem para a ocorrência do problema, destacam-se as deficiências de governança pública. Se os governos falham nesse quesito, toda uma sociedade acaba sofrendo. É por isso que durante uma crise as corporações têm de fortalecer sua governança.

E como fazê-lo? Inicialmente, é preciso conhecer e buscar minimizar todos os riscos que afetam os resultados. Os fornecedores estão preparados para suprir as necessidades da empresa? Como melhorar a satisfação dos clientes com seus produtos e serviços? O que fazer para reduzir custos? O gerenciamento de contratos e de recebimentos, como pode ser melhorado? A gestão de pessoal e a distribuição organizacional estão adequadas? O que é preciso priorizar para melhorar resultados? E na administração do capital, como melhorar a captação de recursos?

Então, vamos por partes.

Os fornecedores são um dos elos essenciais à sustentação de qualquer companhia. Devemos lembrar que, em momentos de crise, muitos desses fornecedores podem enfrentar dificuldades para cumprir seus compromissos. Assim, acompanhar de perto a saúde econômica e a capacidade de atendimento desses parceiros passa a ser um trabalho mandatório.

Prospectar novos fornecedores é um exercício saudável, tanto para evitar problemas com descumprimentos de atendimento, como para negociar a redução de custos. Lembre-se, porém, que deixar um fornecedor em situação delicada numa crise pode ser negativo tendo em perspectivas momentos futuros, quando os problemas são superados. Ruídos de relacionamento podem ser negativos para os negócios.

Conhecer os anseios, as expectativas e as percepções dos clientes em relação a seus produtos ou serviços é essencial para qualquer negócio. Em momentos de crise, porém, isso se torna mandatório para a própria adequação do negócio. Manter bem geridos os canais de comunicação direta com o consumidor deve estar entre as prioridades dos administradores. A informação é um dos patrimônios mais valiosos das empresas. Quem conhece melhor seu cliente tem a capacidade de oferecer as melhores respostas e soluções para satisfazê-lo.

Custos devem ser sempre cortados. Na crise, essa verdade é ainda mais contundente. Enfrentar descontrole de custos em um momento sério como esse pode significar a diferença entre a sobrevivência e a morte de uma empresa. Combater a alta de gastos com o aumento de preços praticados não é uma solução inteligente em um cenário conflagrado. Controlar muito bem a matriz de custos, avaliar como estão sendo empregados os recursos humanos e atentar à boa gestão tributária são providências que não podem ser relegadas a um segundo plano.

Mais do que nunca, saber pagar direito e cobrar com eficiência são funções primordiais. A gestão de contratos é, portanto, uma atividade que deve ser acompanhada com lupa. Evitar atrasos de pagamentos a fornecedores e na quitação de impostos ou obrigações financeiras equivale a economizar recursos que seriam gastos com multas e juros. Por outro lado, a cobrança não deve ser negligenciada, pois a tendência de aumento de inadimplência é natural durante crises.

Tratar de recursos humanos é sempre um fator delicado na gestão empresarial. No entanto, é essencial que os administradores tenham em mente que a sustentabilidade de uma companhia é primordial para a manutenção de postos de trabalho e para o fortalecimento econômico e social no longo prazo. Avaliar o quadro de pessoal e priorizar posições que são chave à valorização do negócio exigem ponderações equilibradas. Também as políticas de remuneração e de benefícios devem ser adequadas ao momento especial.

Foco no negócio: essa deve ser a prioridade, sempre. Na crise, essa verdade é ainda mais pujante. Avalie se as atividades que não geram resultados à empresa podem ser reduzidas ou, eventualmente, terceirizadas. Cada real economizado para ser investido na atividade fim da companhia gerará melhores resultados.

Finalmente, vem a gestão de capital e a captação de recursos. Lembre-se que, em momentos difíceis, os ativos financeiros estão muito voláteis. É preciso investir recursos disponíveis somente em ativos com pouco risco. Lembre-se que algumas das maiores empresas brasileiras já quebraram, ou sofreram fortes golpes, por estarem com suas finanças muito expostas a ativos instáveis. Já a captação de recursos sofrerá reflexos da qualidade de gestão e da solidez que as empresas demonstrarem aos agentes financeiros. Empresas bem geridas, que investem em transparência e que mantêm sua capacidade de adimplência pagam juros mais baixos, captando dinheiro mais barato.

Nada do que foi dito aqui é de fácil aplicação. A boa gestão empresarial exige empenho e trabalho árduo do administrador e de seus auxiliares. Por outro lado, negligenciar esses esforços e a necessidade de dedicar muito mais energia para que a empresa possa suplantar esse momento delicado pode ser um erro fatal. Ao final, abrir os olhos, arregaçar as mangas e não temer mudanças são elementos cruciais para garantir a sobrevivência empresarial na crise.

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