8 motivos que mostram qual o momento certo para demitir

Want create site? Find Free WordPress Themes and plugins.

Por Beatriz Resende

Foto: Nic Ortega/Corbis

Já tive a oportunidade de escrever aqui nesse espaço um texto exclusivo sobre o processo de desligamento, mas a tratei mais sob a ótica da prática da área de RH e desta com seus clientes internos, os gestores. No conteúdo desse mês, vou falar mais do tema na prática e de todos os equívocos, distrações, faltas de disciplina e de empenho, morosidades e outros aspectos que ele carrega.

Bem, já foi dito e reafirmo: a demissão é sempre muito complicada. Por mais que já a tenhamos feito muitas vezes e conversado antecipadamente com as pessoas antes de tomar a decisão final, que a façamos direitinho na hora da conversa final com o colaborador (o que é fazê-lo assim?) e que temos a garantia de que o colaborador sabe do por que da sua demissão, mesmo assim, estando tudo nesse caminho aparentemente correto e profissional, o momento é muito desgastante, e para todos: para quem faz, para quem é desligado, para a área, para os colegas e conhecidos, para o clima em geral. Mas temos que entender que isso é o previsto. O fato de uma demissão refletir em todo esse contexto, não quer dizer que ela foi injusta, desrespeitosa ou fria. É simplesmente pelo fato de ser uma demissão, um caso ainda muito mal resolvido entre as partes: empresa e empregados.

Vamos ampliar algumas questões sobre essa prática:

  • O viver os ciclos numa organização deveria trazer um sentido mais natural de que temos inícios e fins, e que eles podem ser promovidos por ambos os lados: empresa e colaboradores;
  • Da mesma forma que ficamos chateados quando uma empresa nos manda embora, ela se chateia de perder um profissional que sai para ir para outro lugar: ela investiu, apostou e criou expectativas sobre essas pessoas, e vai ter que começar tudo de novo, assim como nós, quando temos que buscar outras fontes;
  • Assim como queremos algo melhor para nós, as empresas podem querer algo melhor para elas, ou pelo menos, algo diferente;
  • O que deveria traumatizar e deixar as pessoas chateadas é a forma que o processo foi conduzido, e não a escolha da empresa pelo desligamento;
  • Mas já que as pessoas não querem de jeito nenhum ser desligadas e sofrer de queda de autoestima e outros, ela deveria dar mais atenção à sua caminhada profissional e pessoal na empresa (isso vejo muito pouco);
  • De outro lado, já que as empresas não querem perder pessoas que elas investiram e gostam, precisam estar atentas e criar condições para satisfazer e retê-las no negócio;
  • E, por final, para que todos sofram menos e o processo aos poucos deixe de ser traumatizante e estigmatizado, como é, todos precisam ser mais maduros, assertivos, transparentes, precisam dialogar mais, deixar os pontos muito claros e lutar por sua existência e espaço nas organizações. E não estou falando de competição e sim de fazer valer, diariamente, o quanto é importante para a empresa nos ter em seu quadro, em seu propósito.
    Agora sobre a pergunta que muitos gestores me fazem, que foi como iniciei essa matéria: qual é o sinal que devo desistir de um colaborador e mandá-lo embora, ou até quando devo tentar?

Da forma objetiva, segue a minha visão:

  1. Em qualquer momento, independente de tempo, qualquer ato imoral, antiético ou criminoso não deve ser tolerado. Para isso não há resgate que deve ser tratado no âmbito de uma organização;
  2. Qualquer desvio de comportamento ou atitudes ruins, deve ser tratado de imediato, mesmo se for no primeiro dia da pessoa na empresa. Lição nº 1: quanto mais você deixar claro para as pessoas o que espera dela e o que não vai aceitar, desde o primeiro dia da parceria entre vocês, menos problemas podem surgir;
  3. E, se mesmo assim surgirem, pois o ser humano é vulnerável e inconstante, precisamos lembrá-los da conversa que já tivemos e do que foi acordado. Se não o fez no primeiro dia e já passou um tempo, faça-o: nunca é tarde!;
  4. Pessoas cientes das suas fragilidades e falhas têm a chance, se quiserem, se resgatar suas oportunidades e espaços dados por nós;
  5. Pessoas que nunca tiveram um direcionamento ou feedback sobre o que têm errado, podem se sentir injustiçadas quando são mandadas embora sem saber o porque. Aí sim uma demissão cria um caráter de injusta e desrespeitosa;
  6. E até quando devemos falar sobre falhas reincidentes e que não estão sendo sanadas por parte do colaborador: quando achamos que a pessoa realmente não quer mudar, não se interessa por isto ou não está dando conta do desafio; quando está fazendo dessa situação um teste na relação entre vocês; ou ganhando munição para sua posição de vítima, a ser usada em momento oportuno;
  7. Não devemos adiar uma situação que já está clara para nós, que cria desconforto e que impacta na nossa equipe e além dela;
  8. E não devemos ter pena do colaborador: ouço muito gestores falarem de pena de colaboradores que estão “pintando e bordando” em seus setores. Pena por motivos paternalistas, quero explicar. E quando questiono isso, entendo que estamos tratando tudo de forma muito profissional. Numa relação madura, não há o que se ter pena: há sim que se ter compromisso, maturidade, verdade, responsabilidade e comunhão de propósitos.

Para evitar-se o pior, então:

  • Líderes e gestores façam sua parte bem feita, pois serão cobrados por isso;
  • Profissionais, façam a sua parte bem feita também: avaliem-se de tempos em tempos de como está a sua imagem, sua postura e suas entregas; não espere, vá atrás! Se o gestor não lhe dá feedback, peça-o. Esta é sua garantia de saber claramente como a empresa te enxerga e se a sua permanência na empresa não está abalada e que ela o considera como pessoa a se investir para o futuro;
  • E caso ouça algo que precise ouvir para melhorar: não desdenhe, não rechace, não desconsidere, não implique. Acolha, avalie, peça outros pareceres, busque fazer o que indicam. Evolua!

Pessoas bem colocadas em suas posições profissionais, em todos os sentidos, tendem a não estar nas estatísticas de desligamentos. Essa é uma visão. Há exceções, sim. Mas as boas práticas, as nossas melhores práticas, em qualquer âmbito, por si só, dizem tudo.

 

Did you find apk for android? You can find new Free Android Games and apps.