7 premissas estratégicas para o êxito de uma usina

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Uma das grandes vantagens em visitar usinas constantemente é ter a oportunidade de conversar com empresários e profissionais e aprender muito com as experiências de cada um.

Diante da deterioração dos preços médios do açúcar e do etanol em relação à safra anterior, e da queda na produtividade e qualidade da matéria-prima, o assunto recorrente é o que fazer para sobreviver num cenário de crescentes dificuldades?

Altamente demandantes de capital e mão de obra, significativamente expostas à volatilidade do mercado de commodities, aos riscos inerentes à uma cultura agrícola e às mudanças políticas e de legislação, as usinas representam altos níveis de complexidade gerencial e demandam estratégias claras e aderentes à complexidade de suas atividades!

Gostaria de contribuir com a discussão desta questão, compartilhando, dentre as diversas experiências que tive acesso, um resumo das “7 premissas estratégicas para o êxito de uma usina”:

1) Conservadorismo nas Finanças 

A gestão financeira deve reconhecer os longos ciclos produtivos e mercadológicos da atividade, garantindo liquidez – ou a “bancabilidade” da usina, como diz um produtor do Paraná. E manter o foco constante no controle e redução dos custos, considerando que esta é uma das poucas variáveis estratégicas que se encontram sob seu domínio.

2) Ousadia nas Pessoas

“É melhor segurar louco do que empurrar tolo”. Esta foi uma das lições mais importantes que aprendi no curso High Performance Executive. A complexidade das atividades de uma usina requer pessoas proativas e de atitudes voltadas à inovação constante. O papel da alta direção é criar um ambiente propício, um palco para a “performance” de cada colaborador, estabelecendo premissas e implantando metodologias e softwares que servem como trilhas para que as pessoas e equipes trabalhem alinhadas e deem um “show” de resultados!

3) Realismo nas Tecnologias 

Realismo neste caso é se ater a todo o potencial e limitações de engenharia das tecnologias em uso ou a serem adotadas. A engenharia deve prevalecer diante das preferências da equipe, ou de análises financeiras simplistas, que cerceiam os ganhos que as tecnologias podem oferecer. A fórmula Investimento X Desempenho é mais interessante que a de Custo X Benefício.

4) Flexibilidade na Comercialização

A flexibilização de mix de produtos e de períodos de comercialização já é amplamente adotada pelas usinas, então não carece de maiores explicações.

5) Otimização na Logística

Considerando que mais de 50% dos custos de todo açúcar e etanol consumidos se referem à logística inbound (interna à produção) e outbound (externa à produção), a logística de uma usina é determinante para sua competitividade! Então, torna-se indispensável uma gestão avançada de logística, fazendo uso de metodologias de CRM, algoritmos e softwares avançados.

6) Cautela com o Clima e Mercado

Ciclos. Malditos (ou benditos) ciclos! Melhor não tentar adivinhar ou apostar neles. A perpetuação de uma usina passa necessariamente pela adoção de uma Gestão de Riscos profissionalizada e independente, de preferência com uma Política elaborada e auditada por empresas especializadas.

7) Desconfiança máxima com a Política

A ingerência destruidora nos preços do etanol através do controle artificial dos preços da gasolina, impetrado por vários anos pelo governo da ex-presidente Dilma Roussef, é um dos episódios recentes que revelam o quanto a sobrevivência das usinas é sensível às mudanças políticas. O baixo preço do etanol foi a principal causa do fechamento de dezenas de unidades.

E a situação atual deixa clara que em políticos não se pode confiar. Portanto, as usinas não podem negligenciar sua importância socioeconômica e muito menos seu papel de agentes políticos!

Assumir um protagonismo político, pressionando os agentes públicos a serem mais coerentes com a realidade e com as necessidades de uma atividade complexa como a produção sucroenergética, deve ser uma premissa estratégica das usinas.

Fazendo isso, muitos empregos serão criados e preservados, a sociedade brasileira será beneficiada com a geração de divisas e distribuição de renda no interior e as populações urbanas continuarão beneficiadas pela menor emissão de poluentes proporcionadas pelo etanol.

7 premissas, 7 estratégias para o bem das usinas e para o bem do Brasil.

Afinal, não é tudo que todos nós queremos?

Boa leitura.

Para ler a edição 286 do JornalCana, clique aqui.

 

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