13 avaliações de Alexandre Figliolino sobre a safra de cana 2018/19

Foto: SRB/Divulgação

Engenheiro agrônomo de formação, Alexandre Figliolino é um especialista do setor sucroenergético. Respira o universo do setor 24 horas por dever profissional, seja como sócio da consultoria MB Agro, seja como conselheiro de companhias sucroenergéticas.

Mas Figliolino também respira 24 horas o setor questões pessoais. O setor sucroenergético integra sua vida. Não é por menos que ele costuma estar presente em três a cada três eventos ligados ao universo sucroenergético que ocorrem pelo país.

Foi em um desses, realizado recentemente em São José do Rio Preto (SP), que Figliolino atendeu ao JornalCana e fez avaliações seguem a seguir como avaliações da safra de cana-de-açúcar 2018/19 prestes a começar nas unidades da região Centro-Sul do País.

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Açúcar em queda 

Estou há 35 anos no setor e acho até divertido, mas também triste, quando dizemos que no setor sucroenergético nunca um ano é igual ao outro. Estamos às vésperas do início da safra 18/19 em uma situação completamente inversa do que estávamos na safra anterior. Estamos com o açúcar a menos de 14 centavos de dólar por libra-peso em Nova York [neste fim de janeiro] e nessa mesma época de 2017 Nova York registrava 23 centavos de dólar por libra-peso.

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Quadro negro 

Há um ano, em função da crise econômica do Brasil nos últimos anos, da crise dos combustíveis, do baixo preço da gasolina no mercado internacional, e a nova política de preços da Petrobras [em vigor desde junho de 2017, de realinhamento dos preços internacionais], estava-se com o quadro muito negro para o etanol, mas muito auspicioso para o açúcar. Isso há apenas um ano.

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Concorrentes no açúcar 

Começamos janeiro com situação totalmente inversa ao mesmo período de 2017. Alguns dos importantes players do mercado açucareiro expandiram bastante sua produção, caso da Índia, que saiu de 20 milhões de toneladas para 25,5 milhões de toneladas de açúcar, e já se fala que o país irá para 27 milhões de toneladas na próxima safra. A Europa, com o fim do regime açucareiro [que libera produtores para a exportação], registrou expansão de produção que veio acompanhada com ganho de eficiência produtiva. A Tailândia, afetada pelo clima nas duas últimas safras, registra nesse ano um clima excelente. O país cresceu 2 milhões de toneladas. E por aí vai.

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Excedente apontado

Com a situação, aponta-se para um excedente de açúcar para a safra mundial 2017/18, a ser encerrada em 30 de setembro próximo, estimado em 10 milhões de toneladas. Isso forçou uma queda forte nas cotações do açúcar na Bolsa de Nova York. Chegou-se em janeiro a 13,50 centavos de dólar por libra-peso.

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Cotação baixa afeta a todos

A baixa cotação em Nova York coloca todos os países produtores de açúcar no vermelho. E vemos um movimento nas commodities de que será preciso um ajuste de produção para haver maior equilíbrio.

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Recuperação do etanol 

Mas se o produtor brasileiro avalia a situação do açúcar com muita preocupação, de outro lado vimos uma recuperação extraordinária da competitividade do etanol em relação ao combustível fóssil. Houve um crescimento espetacular do consumo de etanol, principalmente a partir de setembro último. Uma série de medidas colocadas em prática em 2017 ajudou a aumentar a competitividade do biocombustível.

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Mais etanol na 18/19

Como a safra 17/18 começou mais açucareira, e só veio mudar o mix para o etanol a partir de setembro, o preço do biocombustível ficou interessante. O etanol será a salvação da lavoura do setor também na 18/19. Por dois motivos: primeiro porque ele criou demanda, a partir de sua competitividade. Segundo porque estamos estacionados [em oferta] de matéria-prima. Com certeza a 18/19 será no máximo alcooleira.

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Oferta de cana

Deveremos chegar no máximo a 580 milhões de toneladas de cana no Centro-Sul. Vai depender muito do clima. Foi muito bem entre novembro, dezembro e janeiro em termos pluviométricos. Mas estamos em um regime moderado de La Niña, com estiagem em algumas regiões canavieiras nesse mês.

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Vantagem de fazer etanol

Hoje a vantagem de se fazer etanol hidratado, na comparação com o custo de fazer açúcar, está 30% acima. É exatamente a situação oposta vivenciada um ano atrás.

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Máxima capacidade mix

Tenho avaliado com consultores sobra qual é a máxima de capacidade de mix alcooleiro do setor. Chegamos à conclusão de que é de 59% para etanol e 41% para açúcar. Mas é um número difícil porque depende muito da qualidade da cana ao longo da safra. Se ela for muito rica em sacarose, o que ocorre nos meses de agosto e setembro, quando chamamos o período do ‘estômago’ da usina, com operação a toda carga, perde-se capacidade de mexer no mix.

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Em quanto deve cair a produção de açúcar

Com a tendência da safra mais alcooleira [e com menos oferta de cana], a safra 18/19 deverá gerar menos 3 milhões de toneladas de açúcar em relação à produção da 17/18. Devemos sair de uma produção açucareira de 35,8 milhões de toneladas para 32,5 milhões de toneladas. Tirar as 3 milhões de toneladas do trade mundial é muito positivo.

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Petróleo acima de US$ 60

Estimamos que ao longo de 2018 o barril de petróleo fique acima de US$ 60 no mercado internacional. Isso é muito bom, uma vez que o barril já chegou a ficar abaixo de US$ 40.

‘É do combustível renovável que vem as notícias positivas para o setor sucroenergético’ 

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Médio e longo prazo

Esperamos uma eficiente regulamentação do programa RenovaBio. Temos que trabalhar o cenário de que o programa entre para valer em 2020. Esse ano é fundamental porque o diabo mora nos detalhes. A lei [que cria o RenovaBio] está aprovada, está posta, mas será preciso uma boa regulamentação, e o programa tem suas complexidades.

 

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