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27/1/2006 11:24:00
A.Guerra diversifica com carreta para cana

DCI ( SP ) - 27/01/06

A A.Guerra , segunda maior fabricante de implementos rodoviários da América Latina, estará ingressando em novos segmentos de mercado este ano. Especializada na produção de caminhões para o transporte de grãos, a empresa pretende diversificar a sua linha de produtos. De acordo com o diretor da A.Guerra, Valmor Zanandréa, o mercado de cana-de-açúcar se apresenta como um dos mais promissores para a empresa. “É um setor que está em expansão, mas não é fácil penetrar neste mercado, que já tem seus fornecedores tradicionais”, explica Zanandréa. Outros nichos nos quais a A.Guerra pode vir a trabalhar em 2006 são o transporte de produtos florestais, de combustíveis e de alimentos que demandam veículos especiais.

   Para viabilizar estas novas operações, a A.Guerra, que tem sede em Caxias do Sul (RS), inaugurou no final do ano passado uma fábrica em Guarulhos (SP), considerada uma unidade estratégica em termos de logística, pela maior proximidade com o interior paulista, os demais mercados das Regiões Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste do País. Com a nova estratégia de diversificação, aliada aos investimentos em expansão que a A.Guerra iniciou no ano passado e está finalizando, a projeção da empresa é de um crescimento de 10% nas vendas este ano na comparação com 2005. “Com a diversificação de produtos que estamos iniciando, ficaremos mais protegidos das crises na agricultura, como a que ocorreu no ano passado, devido à seca na Região Sul”, salienta Zanandréa.

   No mercado externo, a estratégia de crescimento de 2006 será o desenvolvimento de parcerias com empresas de diversos países para a montagem local dos caminhões. “Em muitos mercados, se exportamos o caminhão a partir do Brasil, por causa da distância e dos custos com frete e seguros, ele não chega no consumidor com um preço competitivo”, justifica Zanandréa. Um exemplo é o Oriente Médio. A empresa formou uma joint venture com a Excel, dos Emirados Árabes, que distribuirá os produtos em toda a região. Também será feito o mesmo tipo de operação em paises das Américas do Sul e Central.

   A A.Guerra investiu, no ano passado, R$ 21 milhões para introduzir na fábrica de Caxias do Sul a primeira linha de montagem totalmente linear da América Latina, com 600 metros de comprimento, o que permite um aumento na eficiência produtiva segundo a empresa. O sistema começa com a montagem do chassi e termina com o produto final, pronto para ser entregue ao cliente. As fábricas tradicionais de caminhões costumam adotar o modelo de células produtivas.

   De acordo com Zanadréa, os resultados de 2006 devem recuperar parte das perdas do ano passado, período considerado desfavorável para a empresa, que tem como principal produto de vendas o bitrem graneleiro. “Nossas vendas foram muito afetadas pela questão da seca e da quebra na safra de soja do Rio Grande do Sul”, afirma.

   Além disso, complementa, em 2005 outros dois problemas afetaram os negócios da empresa: a queda generalizada dos preços das commodities no mercado internacional e o câmbio desfavorável, que resultou na queda da rentabilidade tanto das exportações da A.Guerra quanto nas dos seus clientes. “Este ano será bem melhor, já estamos sentindo o início da recuperação nas vendas, mas 2006 ainda vai ficar aquém de 2004, que foi um ano extraordinário para o nosso setor”, ressalta Zanandréa.

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