20/12/2005 17:30:00Novo processo permite produção de gasolina a partir da cana-de-açúcar
DCI ( SP ) - 20/12/05 O reaproveitamento e gaseificação do bagaço e da palha da cana-de-açúcar podem ampliar a produção de álcool sem expansão da área plantada e ainda produzir derivados de petróleo de modo sustentado, como a gasolina e o óleo diesel. Um estudo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) permite a produção de álcool excedente a partir de rejeitos da cana e ainda permite a produção de derivados de petróleo, como a gasolina e o diesel e até mesmo um substituto viável para o gás liquefeito de petróleo (GLP). “Podemos aumentar a produção de álcool, quase dobrar, sem aumentar em um milímetro a área de cana plantada”, diz Ademar Hakuo Ushima, pesquisador do IPT. Em 2002, o instituto firmou parceria com a Raudi Energia Tecnologia em Combustíveis Limpos Ltda . O objetivo do acordo era desenvolver um gaseificador de excedentes de bagaço e palha de cana-de-açúcar para a geração de gás combustível e de síntese, economicamente viáveis e que pudessem gerar receita excedente no processo. O projeto, que estará completo no fim deste ano, deve ser instalado em uma usina em aproximadamente dois anos, com uma unidade de demonstração. Depois de finalizado, o gás sintetizado no gaseificador será capaz de gerar gasolina, óleo diesel, metanol, ácido acético, etanol, DME (que substitui tanto o diesel quanto o GLP de cozinha), hidrogênio e fertilizantes. Muitos dos derivados de petróleo poderão substituí-lo por uma fonte renovável. Segundo o pesquisador, para cada tonelada de cana utilizada na produção de álcool por usinas sucroalcooleiras, são gerados 140 quilogramas de bagaço e 140 de palha, que possuem alta energia armazenada e tem porcentagens consideráveis desperdiçadas. O método reduzirá consideravelmente o rejeito de resíduos no processo produtivo, tanto do álcool anidro quanto nos demais derivados da cana, que hoje, segundo os cálculos do pesquisador, equivalem a cerca de 28% do peso líquido da matéria-prima utilizada. Ushima ainda comenta que a palha de cana, geralmente queimada, gera severos prejuízos ambientais a regiões do interior do Estado de São Paulo, como Piracicaba e Ribeirão Preto, e são responsáveis por uma série de doenças comuns nessas regiões. Ushima também explica que o gás carbônico produzido na queima de combustível não aumenta sua concentração na atmosfera, já que mantêm uma quantidade fixa do gás em todo o ciclo. O gás carbônico consumido pela cana é o mesmo que sairá nos motores dos carros e será novamente absorvido pelas plantas. O pesquisador diz que, em dez anos, problemas com o efeito estufa e com o escasseamento das reservas de combustíveis fósseis tornarão alternativas como a desenvolvida pelo IPT úteis em diversas regiões do globo. Pesquisas na área já são também desenvolvidas em outros países, como a Índia.
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